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Juiz nega erro ao libertar pedreiro

Folhapress
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Brasília - O juiz responsável pela soltura do pedreiro Adimar Jesus da Silva, que confessou ter assassinado seis jovens de Luziânia (GO), afirmou ontem que não há como garantir que um criminoso não reincida no delito. Luís Carlos Miranda, que é juiz auxiliar da Vara de Execução do DF, negou que tenha errado no caso. “Não temos como prometer que as pessoas que vamos soltar não cometerão crimes. Cautela nós podemos prometer, e isso nós tivemos”, disse, durante uma entrevista no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

O caso de Luziânia levantou polêmica pelo fato de Adimar de Jesus da Silva ter sido beneficiado anteriormente pela progressão de pena. Em dezembro de 2009, o pedreiro passou para o regime aberto após ficar preso por violentar dois meninos.

O juiz afirmou que agiu corretamente, considerando o processo e o que está previsto em lei. “A grande questão é que eu não mudaria uma vírgula no que fiz”, alegou. “Se eu começar a indeferir benefício pelo que aconteceu com o Adimar, eu estarei encobrindo uma tragédia com uma injustiça. Eu não tenho esse direito”, completou.

Miranda disse estar “tranquilo” em relação à decisão tomada, por ter seguido estritamente o que diz a lei, segundo ele. No entanto, afirmou estar “triste” pela tragédia. “A única coisa que posso fazer é rezar para que Deus dê o conforto necessário (às famílias dos jovens).”

O juiz argumentou que levou em consideração, para conceder a progressão de pena a Adimar, o exame criminológico, feito no início da pena (de 2008), e também exames psicológico e psiquiátrico (de 2009). De acordo com Miranda, o exame psicológico apontou que o pedreiro se apresentava “com polidez e coerência de pensamento”. O teste psiquiátrico apontou que Adimar não tinha doença mental nem precisava de tratamento com medicamentos.

Ele afirmou ainda que, mesmo que tivesse indeferido a progressão de pena, Adimar Jesus da Silva teria sido solto em 2015. “Temos que lembrar não há prisão perpétua no Brasil”, alegou. Miranda não confirmou se vai participar de uma audiência pública na CPI da Pedofilia, do Senado, na próxima semana.

Três nomes diferentes

O suspeito de ter estuprado e matado seis jovens em Luziânia (GO) tinha três identidades com grafias diferentes do primeiro nome - Ademar, Adimar e Admar Jesus da Silva. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de Goiás, isso dificultou a identificação dele e a sua prisão por tentativa de homicídio na Bahia. Para a Polícia Civil de GO, o nome verdadeiro é Ademar.

Silva havia sido detido no Distrito Federal em 2005 e condenado por violência sexual contra dois meninos. Nesse processo o nome dele é Adimar. Ele foi solto em 23 de dezembro passado, apesar de haver ordem de prisão expedida no Nordeste, mas em nome de Ademar.

Em 30 de dezembro, uma semana depois da libertação, desapareceu o primeiro dos seis jovens de Luziânia.

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