Brasília - A visita oficial do presidente do Líbano, Michel Suleiman, ao Brasil, virou ontem no Itamaraty uma espécie de ato em defesa do Irã e de crítica a Israel, justamente quando o Conselho de Segurança da ONU aprofunda discussões para ampliar as sanções ao regime iraniano por conta de seu programa nuclear.
Depois de almoçar com Suleiman, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, embarcaria ontem para Istambul, Moscou e Teerã para “amadurecer toda essa discussão” e defendeu a compatibilização do direito de o Irã enriquecer urânio com o das potências de exigirem garantias de que será para fins pacíficos.
Lula disse que o Brasil tem “autoridade moral e política” para discutir o tema. Ele quer que Amorim prepare o terreno antes de sua chegada ao Irã, no dia 15 de maio, para encontros com o presidente Mahmoud Ahmadinejad. “Queremos preparar bem a viagem e saber as possibilidades que temos de fazer com que a agência (Agência Internacional de Energia Atômica) faça um acordo com o Irã”, disse Lula a jornalistas.
O Brasil defende a ideia de que a Turquia seja a depositária de urânio pouco enriquecido iraniano que seria trocado por urânio enriquecido a 20%, adequado para usos médicos mas não para a construção de uma bomba.
Sobre o fato de sua imagem estar muito associada ao Irã, Lula disse: “O risco maior que eu poderia ter é me omitir, achando que só alguns países podem cuidar da paz”.
Exercícios militares
A Guarda Revolucionária (Pasdaran), grupo militar do regime iraniano, iniciou ontem treinos de manobras de guerra no Golfo Pérsico em resposta às ameaças nucleares dos Estados Unidos.
“A mensagem mais importante destes exercícios frente às ameaças nucleares americanas é que resistiremos firmemente para mostrar a todos aqueles que ameaçam a paz e a segurança mundiais que não têm capacidade de lançar uma guerra, inclusive nuclear”, declarou Ali Shirazi, assessor do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Para o assessor as ameaças americanas são antigas, mas nunca foram levadas a cabo. “Há 31 anos, os Estados Unidos não param de nos ameaçar, mas foram incapazes de fazer algo”, acrescentou.