Vem caindo, mês a mês, o número de devedores inclusos no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru. Atualmente, a lista tem 43.685 nomes, que juntos devem R$ 23 milhões, contra cerca de 100 mil em janeiro de 2007. De lá para cá, exceto no período mais agudo da crise econômica internacional, a inadimplência no comércio só tem reduzido.
É fato que a retomada do crescimento do País dá ao consumidor mais condições de honrar seus compromissos, mas para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) há outro fator que explica a redução de inadimplência no comércio: o uso do cartão de crédito ou débito. “Os clientes deixaram de dever aos lojistas para dever às operadoras de cartão”, ressalta Sérgio Evandro Motta, presidente da CDL. Para o economista Wagner Ismanhoto, a economia em alta também colabora para a queda dos inadimplentes.
Motta calcula que cerca de 70% das vendas no comércio de Bauru são feitas no cartão de débito ou crédito. “Não sabemos qual é a inadimplência nas operadoras de cartão, mas pelo crescimento das empresas especializadas em cobrança, tudo indica que vem subindo”, completa a análise.
Levantamento feito pelo Jornal da Cidade no ano passado mostra que cartão de crédito, habitação e comércio são os setores para os quais os bauruenses mais devem.
No mês passado, 2.641 clientes inadimplentes foram inclusos na lista do SPC, 1,9% menos que no mesmo mês de 2009. Em fevereiro, o resultado foi bem melhor: 1.838 clientes entraram para a lista, o que representa 31% menos que no mesmo mês do ano anterior, mostra a estatística do SPC. “Para o comércio, toda redução de inadimplência é importante, mesmo que pequena”, frisa.
Carnês
Apesar da popularização do cartão de débito ou crédito, a maioria do comércio trabalha com cheque, forma de pagamento que sempre representa risco de inadimplência. “Mas a maior inadimplência hoje no comércio nem é de cheques, mas sim dos carnês próprios das lojas. Isso porque é mais complicado deve para o banco do que para a loja”, opina Motta. Ele ressalta que o cidadão inadimplente, além de perder o crédito no comércio para novas compras, pode enfrentar dificuldade até em vender bens em operações intermediadas por bancos que consultem o cadastro de devedores.
“Conheço uma pessoa que não conseguiu vender o terreno, que seria comercializado através de financiamento da Caixa, porque estava com o nome no SPC”, comenta. De acordo com o presidente da CDL, o comércio em geral tem oferecido várias oportunidades aos inadimplentes para que quitem seus débitos. “As lojas estão abertas a negociação. Em muitos casos reduzem ou até perdoam juros. O cliente inadimplente tanto pode procurar o SPC, que vai fazer a negociação, quando a própria loja”, afirma.