Para o comerciante Marcelo Rodrigues Afonso, mais de 70% de seus clientes pagam com cartão. “Não possuímos crediário na loja. Então, dificultamos o pagamento com cheques e facilitamos com cartão”, explica. Dessa forma, conseguem reduzir a inadimplência. “A maior parte do prejuízo que temos é com cheque. Cerca de 10% dos pagamentos são feitos assim, e mesmo nesse pouco, ainda temos muita inadimplência”, observa.
Porém, ele avalia que um mau pagador vai continuar dando desfalque. “Muitas financeiras que temos contato afirmam que a inadimplência de seus clientes aumentou”, diz. Para Afonso, após os incentivos para as compras de bem duráveis, o melhor momento para os comerciantes deve começar. “Quem tinha que comprar fogão, geladeira, carro, já comprou. Agora é a nossa vez”, afirma.
Já os consumidores contam que pagam com cartão, mas muitos ainda preferem quitar com dinheiro vivo. O auxiliar de escritório Rafael Correa, 19 anos, prefere pagamentos à vista. “Se tiver o dinheiro, é bem melhor. Já paga e fica livre. Mas, na maioria das vezes, acabo usando o cartão”, admite. “Já que consigo controlar as finanças, prefiro o cartão pela praticidade”, afirma a doméstica Creuza Alves Ribeiro, 39 anos.
O vigia Manoel Domingues costuma pagar com dinheiro. “Assim, posso negociar um descontinho”, conta. O mesmo pensa a doméstica Shirlei Aparecida Ferreira. “Com o dinheiro, dá sempre para chorar um pouquinho”, diz.