A lagoa de chorume (líquido decorrente da decomposição do lixo) situada no aterro sanitário de Bauru está prestes a transbordar e ainda não há previsão de quando começará a ser esvaziada. Há um mês, a empresa Monte Azul, de Araçatuba, venceu o processo de licitação conduzido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para fazer sua retirada, transporte, tratamento e destinação final. No entanto, ainda aguarda licença da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para iniciar o trabalho.
O órgão aguarda uma posição da agência de Araraquara, para onde o líquido será encaminhado. O objetivo é saber se a estação de tratamento de esgoto do município terá capacidade de receber e dar a destinação correta ao material de Bauru. Até ontem, não era possível estimar quando a resposta virá. Enquanto isso, para evitar que a lagoa transborde, a Emdurb tem feito algumas remediações, informa a gerente ambiental da empresa, Flávia de Souza.
De acordo com ela, um profissional do aterro tem cercado e aumentado as bordas da lagoa com terra. A iniciativa evitaria que o líquido escorresse. No entanto, segundo Cetesb, para contornar o risco de vazamento, a Emdurb já chegou a bombear chorume de volta para o aterro, o que não é permitido.
Como o líquido é proveniente do lixo, o aterro dispõe de um dreno para levá-lo à lagoa. Por estar lotada, bombearam o líquido de volta, situação que encharcaria o aterro. A lagoa existe desde 2007, mas nunca foi esvaziada.
História
O trabalho, finalmente, será realizado pela Monte Azul, que receberá R$ 299.800,00 para fazer o serviço por 12 meses. Conforme o JC veiculou, o depósito de chorume rendeu à Emdurb multas no valor de R$ 131 mil, aplicadas pela Cetesb. A empresa recorreu da sanção, que contemplou outros problemas. Por um período (especialmente em época de chuva), o lixo deixou de ser coberto por terra.
Depois, a o trabalho foi retomado e, atualmente, incrementado com a locação de novos veículos, explica Flávia de Souza.
Segundo a gerente, a Emdurb também levantou os três orçamentos necessários para fechar os poços de inspeção, cuja água coletada apontou contaminação por metais como chumbo.
Os poços, abastecidos pelo Aquífero Bauru, não estavam lacrados como deveriam, conforme constatou a Cetesb. O órgão ambiental coletou amostras de água para confirmar a contaminação por chumbo apontada em levantamento solicitado pela própria Emdurb a um laboratório de São Carlos. A expectativa é receber a contraprova da Cetesb em, no máximo, um mês. Alguns dias antes da coleta oficial de água procedida pela Cetesb, seus técnicos estiveram no aterro, verificaram irregularidades e aplicaram as multas.
A partir de então, a Emdurb contratou Flávia de Souza. De acordo com ela, os funcionários da Emdurb também estão abrindo canaletas para evitar que a água da chuva emposse no aterro. A exigência partiu da Cetesb.