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E-reader: uma nova era para a leitura

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

No início deste mês, a Apple lançou nos Estados Unidos o iPad. Trata-se de um parente do iPod, o tocador de áudio digital que virou febre, principalmente entre os mais jovens. O iPad, ao invés de música, serve para armazenar e exibir livros. A expectativa é que este aparelho, que mede 24 cm de altura por 19 cm de largura, dê um impulso ao mercado de e-readers, uma categoria de produtos que até o momento não empolgou os consumidores. O preço salgado pode ser um dos motivos para isso (leia mais na página 13).

Mas a chegada de novos produtos e a concorrência entre os fabricantes deve baratear o leitor de livros digitais e torná-lo acessível a uma camada maior da população. Atualmente, existem cerca de dez opções de e-readers à venda. O preço médio gira em torno de R$ 1.000,00.

Lançado pela Amazon em 2007, o Kindle é o mais bem-sucedido leitor de livros digitais que existe no mercado. Desde outubro do ano passado, ele pode ser comprado no Brasil por cerca de US$ 550 (que equivale a R$ 990,00). Desse valor, US$ 259 é pelo aparelho e o restante é cobrado a título de taxa de importação e frete.

Os brasileiros têm à sua disposição cerca de 300 mil livros digitais (e-books) que podem ser baixados para uso nesses aparelhos, mas quase a totalidade em inglês. A oferta de e-books em português ainda é muito pequena comparada com o acervo que existe no País.

Na opinião da professora Maria do Carmo Kobayashi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, esses aparelhos devem atrair um público bem específico: “A geração que nasceu plugada nos botões”, define.

Uma pesquisa informal feita pela Editora da Universidade do Sagrado Coração (Edusc) constatou que uma grande parte dos alunos que estão chegando agora à faculdade prefere o livro na versão digital e não na versão impressa. A sondagem foi feita no início do ano entre os alunos da faixa etária dos 18 a 20 anos.

“Consultamos um grupo pequeno, mas serviu como uma indicação do que eles querem”, explica Carina Nascimento, coordenadora editorial da Edusc. “É um público que não assiste mais TV. Eles acham isso coisa do passado. É uma geração que prefere o “You Tube”, o computador, o mundo virtual”, diz ela.

De acordo com José Jobson de Andrade Arruda, editor da Edusc, os jovens de hoje se adaptaram à imagem, à rapidez e preferem fazer e ver as coisas na Internet. “As editoras terão de tornar os livros palatáveis a essa nova geração. A mudança é a regra da história”, diz.

Por conta dessa mudança de comportamento, a Edusc já faz planos para converter parte de seus livros em formato digital. “Temos de conquistar essa fatia do mercado”, argumenta Carina. Na avaliação dela, o livro digital não vai diminuir o interesse pelo impresso. Ela acredita que a nova versão vem para somar. “Ainda vai ter quem goste de tocar, folhear e cheirar um livro. Acho que haverá espaço para os dois públicos”, aposta.

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