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Bibliotecas deverão ficar mais vazias

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A frequência às bibliotecas deve cair com a popularização dos leitores de livros digitais. A partir do momento em que as pessoas puderem carregar em um pequeno aparelho eletrônico centenas de títulos, não haverá tantas razões para recorrer a uma biblioteca quando se quiser ler determinadas obras. Como não há gasto com papel nem com transporte, espera-se que o preço do livro, no formato digital, seja reduzido, tornando sua aquisição mais acessível.

No entanto, a professora Maria do Carmo Kobayashi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, doutora em educação e que pesquisa o tema biblioteca, acredita que, apesar da queda na procura, a biblioteca continuará sendo ponto de encontro para muitos amantes da literatura.

“As visitas podem até diminuir, mas a biblioteca continuará com seu público fiel. Se fosse assim, a igreja também não existiria mais porque cada um pode rezar em casa”, justifica. Segundo ela, a biblioteca vai além de um espaço onde é possível encontrar livros. Estar em biblioteca é compartilhar de um momento de silêncio, de introspecção.

Questionada se as novas ferramentas digitais servirão, de alguma forma, como um incentivo à leitura por parte das novas gerações, especialmente às que nasceram plugadas no mundo virtual, Maria do Carmo mostra ceticismo.

Na opinião dela, de nada vale o aparecimento de novidades tecnológicas voltadas à leitura se não há um estímulo dentro de casa para que os filhos leiam. “Para se sentirem estimuladas a ler, independentemente do suporte utilizado, as pessoas têm de viver em um local onde a escrita e a leitura são socialmente utilizadas.”

Para a professora, esse estímulo não pode partir apenas da escola. Ele tem de estar presente também dentro de casa. Segundo ela, o aparelho, por si só, não fará grande diferença para formar um público que gosta de ler.

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