Tribuna do Leitor

Réquiem a um cristão católico consagrado


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Neste 25 de abril, especialmente, divido com vocês um motivo para a gratidão de uma cidadã brasileira, que viveu 30 anos em Bauru; dou graças ao privilégio do acesso à técnologia da informação e à internet. Só por isso, e por continuar conectada às notícias da Igreja de Bauru, acabei de saber (em Cuiabá são 13h10) do falecimento do Padre Carlos Pessoa. Que os anjos o acolham em Paz!

Conheci o padre Carlos quando este ainda era seminarista e foi recebido na diocese. Naquela época, eu gostava de conversar com ele e saber sobre a sua cultura de origem. Confesso que tive um declarado preconceito religioso para com os “efeitos espetaculares das missas carismáticas” que o padre Carlos celebrava na Igreja São Benedito.

Mas (como sempre acontece com os preconceitos), numa das quartas-feiras dos penúltimos meses em que ele esteve à frente daquela paróquia, eis que me vi entrando na igreja para orar um pai-nosso, enquanto aguardava o ônibus no ponto em frente à mesma. Eu voltava da ITE a pé naquela noite, não me lembro o motivo. Lembro-me que estava muito triste e chorosa, lugar comum no cotidiano de uma mulher, mãe, militante e pobre. Ao entrar na igreja (lotadíssima), ajoelhei-me num cantinho próximo à parede dos banheiros, único espaçozinho naquele momento. Não me interessei pelo que acontecia com o povaréu ali, levantando suas fotos, objetos, carteiras profissionais... Parecia um mar de carteiras profissionais erguidas ao céu, clamando pela graça de um emprego àquela pessoa.

De repente, um silêncio tremendo... ouço apenas uma voz - de padre Carlos Pessoa - mas parecia que o som vinha do alto do céu, de fora daquela igreja - que não é pequena. Aquela voz descrevia com absoluta riqueza de detalhes a minha intimidade e o meu sofrimento daquele momento específico. Foi fantástico constatar alguma semelhança com as passagens bíblicas e as revelações dos anjos.

Tudo bem, fiz minhas orações e fui embora. Naquela época eu que fumava há mais de 20 anos, estava começando a apresentar sintomas consequentes do vício de fumar cigarros. Fiz um propósito naquele dia: eu queria alcançar o milagre da cura do vício do cigarro (se houvesse algum propósito eficaz naquela manifestação de fé do povo sofrido). Mais que isso, meu desafio foi: eu queria esquecer que um dia soube o gosto de um cigarro sequer.

Recebi de Deus o milagre da força de vontade e há 12 anos não fumo e muito menos recordo como era minha vida quando tinha o vício. Nenhuma sequela.

Associo esta experiência positiva de realização da espiritualidade e força de vontade em largar um vício ao ministério sacerdotal do padre Carlos Pessoa, ao seu exemplo cristão, rendo-lhe minhas homenagens, minha gratidão e orações a Deus Pai e Mãe, neste dia de seu passamento.

Rosa Maria Morceli

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