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Profissão: mãe - Mãe em tempo integral

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

T alvez antes da maternidade, abrir mão da carreira jamais seria uma ideia a passar por suas cabeças. A mulher contemporânea conquistou seu espaço, inseriu-se no mercado de trabalho com competência e dedicação e é são imprescindível nas funções que desempenha. Mas conciliar carreira e filhos é ainda um dilema para muitas.

Quando a gravidez bate a porta, o trabalho e o cuidado com os filhos são sempre colocados em uma balança e, para muitas dessas mulheres, pesa mais a segunda opção. A diferença, talvez, ao contrário de antigamente, é que esse retorno ao lar é uma escolha, e não mais uma falta de opção. Esse é o caso da mãe-integral Magali Cação, 47 anos, que abriu mão da psicologia há 17, assim que Vanessa nasceu.

“Olho para trás e não me arrependo. Hoje sou uma mãe realizada”, resume sobre a escolha de acompanhar de perto e passo a passo o crescimento da filha. “Por conta do trabalho, meu marido passava muitas horas fora de casa e eu queria preencher esse vazio. Então, opinei por parar de trabalhar e acho que valeu muito a pena”, afirma Magali, “mãe” ainda das sobrinhas Ana Carolina e Gabriela Cristina. “Mesmo quando a minha irmã era viva, era eu quem ficava em cima, cobrava as tarefas da escola, no período em que ela estava trabalhando. Sempre fomos muito agarradas”, comenta.

Hoje, mesmo com as “três” filhas - como gosta de destacar - já crescidas, Magali diz não sentir vontade de voltar ao mercado de trabalho. “Muitas mães abrem mão da carreira pelos filhos e não se sentem realizadas. Eu não senti esse vazio. Me preenchi sendo 100% mãe, porque é muito difícil, hoje, você educar um filho. Criei um vínculo com ela de amizade, temos afinidade para colocar as coisas uma para outra, acompanhei e acompanho o crescimento dela e tenho dúvidas se teria conseguido fazer dessa forma me dedicando também ao trabalho”, avalia.

Essa é a conclusão a que chegou também Heloísa Carvalho Abrantes, mãe de Daniele, 24 anos, e Rafael, 20. “Não é uma decisão fácil. Você gostaria de ter seu próprio dinheiro, estar envolvida em outra atividade, é uma escolha difícil mesmo”, pontua. Entre uma gravidez e outra e no decorrer do crescimento dos filhos, Heloísa, por algumas vezes, tentou retornar ao mercado, mas sempre voltava a se dedicar integralmente à casa.

“As crianças sentiam muito a minha falta, meu marido enfrentou uma época problemas de saúde, sempre acontecia alguma coisa que fazia com que eu me sentisse necessária em casa. A recompensa é olhar a pessoa que eles se tornaram e ver que valeu a pena a dedicação e dar toda a minha atenção a eles”, conclui Heloísa, que, agora com os filhos já criados, pretende retomar o trabalho. “Sei que não será fácil, estou com 51 anos e até mesmo para os jovens inserir-se no mercado está difícil. Mas vou tentar”, finaliza.

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Sugestão de leitura

“Confissões de Mãe” (Agir), de Maria Mariana, autora também de “Confissões de Adolescente”. Escrito em forma de diálogo entre mãe e filha, o livro levanta inúmeras questões sobre a maternidade e fala de medos e dores que assustam, ao mesmo tempo que fortalecem a mulher.

“Vida de Equilibrista – Dores e Delícias da Mãe que Trabalha” (Cultrix), da psicóloga Cecília Russo Troiano. No livro, a autora procura traduzir esses dilemas combinando uma ampla pesquisa realizada com 800 mulheres de todo o Brasil, relatos de especialista e sua própria vivência como mãe e profissional.

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