Internacional

Lugo inicia ofensiva contra guerrilha


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Assunção - O ministro de Interior do Paraguai, Rafael Filizzola, afirmou ontem que o país iniciou os preparativos para a operação contra a guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP), logo após a assinatura do estado de exceção para cinco departamentos do Norte paraguaio, na noite de anteontem.

O regime, válido por 30 dias, foi aprovado pelo Congresso a pedido do presidente Fernando Lugo sob o argumento de facilitar a perseguição aos membros do EPP, apontado como autor de chacina que deixou mortos, na última quarta-feira, em Horqueta, no departamento de Concepción. Os outros departamentos atingidos são Alto Paraguai, Amambay - que faz fronteira com o Brasil -, San Pedro - berço de Lugo - e Presidente Hayes.

Segundo Filizzola, muitos dos militares que participarão da ofensiva já estão na região. Logo após ratificar a medida, aprovada pelo Congresso, o presidente Fernando Lugo se reuniu com os integrantes da Comissão de Segurança Interna para discutir o comando da operação, afirma o jornal paraguaio “Ultima Hora”.

O governo definiu apenas que um comando conjunto deve cuidar da operação, executada pela Polícia Nacional e as Forças Armadas. Não se sabe ainda, contudo, quem fará parte deste comando. Filizzola disse, segundo o jornal, que o comando não precisa necessariamente estar nas mãos de um militar e desmentiu os boatos de que as Forças Armadas não estavam contentes de dividir a ação com a polícia.

O EPP tem cerca de 100 guerrilheiros que reivindicam a luta armada como forma de mudar o sistema político-econômico paraguaio. Suas operações ocorrem em áreas onde o Estado está praticamente ausente.

Segundo autoridades paraguaias, vários integrantes do EPP foram treinados ou ajudados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O governo considera o bando como uma quadrilha comum, mas teme que se torne uma guerrilha semelhante à colombiana.

Os principais líderes do EPP, apontado como responsável por sequestros e ataques a postos policiais há mais de uma década, estão escondidos em áreas de mata no Norte do país, onde as forças de segurança atuam sem êxito desde janeiro.

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Ativistas temem abusos

Assunção - Defensores dos direitos humanos que atuam no Paraguai fizeram ontem um alerta para o risco de o estado de exceção declarado em cinco departamentos (Estados) do país ser usado para justificar abusos por parte das forças de segurança.

Entre as mudanças previstas estão o direito do Executivo de proibir agrupamentos públicos e mandar prender suspeitos; a proibição a presos e foragidos de deixar o país; e o uso, pelas Forças Armadas, de armas de guerra contra os criminosos.

Ontem, Lugo convocou os defensores dos direitos humanos a uma reunião na qual ofereceu “as mais amplas garantias de que esse processo não irá ferir nenhum procedimento ligado aos direitos humanos’’, explicou o ministro de Informação, Augusto dos Santos.

Roxana Coronel, secretária-executiva da Coordenadoria de Direitos Humanos do Paraguai (Codehupy) afirmou, depois do encontro, ter ratificado a opinião de que não há as circunstâncias estabelecidas na Constituição para o estado de exceção’. “Com os meios legais comuns é possível lidar com a situação’’, disse.

O braço paraguaio da Anistia Internacional também afirmou considerar que o estado de exceção é desproporcional. “Nós temos solicitado ao presidente que, diante da sociedade paraguaia, se comprometa a respeitar os direitos humanos’’, disse Fabián Forestieri, da Anistia no Paraguai, no site ABC Digital.

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