Botucatu – A polícia localizou na manhã de ontem o corpo de Francisco Carlos Mendes da Cruz, 35 anos, enterrado em um barranco na zona rural de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), após denúncia feita por populares. O homem, que estava desaparecido há mais de uma semana, apresentava ferimentos na cabeça. O suspeito do homicídio, Paulo Lucas Morales, 19 anos, enteado de Cruz, foi detido e confessou o crime.
A vítima teria sido morta em um pasto próximo à Vila Real, a cerca de 200 metros do local onde seu corpo foi encontrado, já em adiantado estado de decomposição. Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o delegado Celso Olindo, Cruz era viciado em crack e tinha diversas passagens pela polícia por crimes de reduzido potencial ofensivo. Inclusive, ele já teria agredido Morales em outra oportunidade.
No dia do crime, segundo depoimento do acusado ao delegado, os dois teriam ingerido grande quantidade de bebida alcóolica e iniciado uma discussão. O motivo teria sido as constantes tentativas de reconciliação entre a vítima e sua ex-companheira, mãe de Morales, com as quais ele não concordava.
Segundo Olindo, a relação entre o casal era marcada por brigas e agressões. A mulher teria, inclusive, entrado com pedido de separação de corpos na Justiça. Além disso, o enteado alega que o padrasto não contribuía financeiramente com a família e chegava até a retirar objetos da casa para sustentar seu vício.
Em determinado momento da discussão, ainda de acordo com o delegado, Morales teria se apoderado de um pedaço de madeira retirado de uma cerca e golpeado a vítima na cabeça por diversas vezes. O acusado afirma que contou com a ajuda de um andarilho para praticar o crime, mas a polícia acredita que, com esta versão, ele esteja tentando esconder a identidade de seu verdadeiro cúmplice.
Em seguida, Morales revela que teria arrastado o corpo de Cruz pelos pés até o barranco, ao lado de um riacho, e coberto ele com terra para dificultar a localização. Apesar de confessar a autoria do homicídio com requintes de detalhes, o acusado não permaneceu preso. Segundo o delegado, o período de flagrante já expirou e ele teria colaborado com o trabalho da polícia. Contudo, não está descartado o pedido de prisão preventiva contra ele.
Um inquérito foi instaurado para apurar a veracidade das informações prestadas e a suposta participação de uma segunda pessoa no homicídio.
Segundo o titular da DIG, Morales, que seria viciado em álcool, não tem passagens anteriores pela polícia.