São Paulo - O Brasil paga dez vezes mais por acesso à conexão banda larga do que países desenvolvidos, segundo um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília.
Enquanto no Brasil se gasta com banda larga, em média, 4,58% da renda mensal per capita, nos países desenvolvidos a mesma relação gravita em torno de 0,5% - quase dez vezes menor, segundo os dados apresentados.
A conexão banda larga chega a apenas 3,1% dos domicílios brasileiros, percentual que totaliza 266 mil residências de um total de 8,6 milhões.
O estudo vem em meio às intensas discussões sobre a adoção do Plano Nacional de Banda Larga, cujo objetivo é massificar o acesso à Internet no País a preços menores que os praticados atualmente pelo mercado. A proposta do governo é oferecer a banda larga a preço em torno de R$ 30,00.
A disparidade entre a percentagem de acessos de banda larga em domicílios nas regiões rurais e urbanas é grande.
No Centro-Oeste, regiões urbana e rural detém, respectivamente, 28,1% e 5,2%. Já no Nordeste a região urbana tem 14,3%, enquanto a região rural tem 1,1%. A região Norte tem 10,9% dos acessos na região urbana, e a região rural possui 1,9%.
No Sudeste, a região urbana tem 27,8% de domicílios com acesso à banda larga, enquanto o meio rural detém 5,5%. O Sul vem com 29,6% dos acessos em áreas urbanas - na região rural, o número cai para 5,2%.
“A penetração no Brasil é bastante crítica”, disse Luis Kubota, um dos técnicos responsáveis pelo estudo. Ele afirma ainda que, embora o preço tenha caído, a densidade de acesso ainda está abaixo dos padrões internacionais - mesmo em relação a países com nível de desenvolvimento econômico semelhante, como México e Turquia.
Segundo os dados, o Brasil tem uma média de conexão de 1 Mbps (megabit por segundo), enquanto países como Japão e Coreia têm conexões de 100 Mbps. “Isso acontece por causa do uso de fibra óptica, que propicia velocidades mais altas”, afirmou Kubota.
Com detalhes da abrangência nacional e internacional, o estudo é um dos maiores já feitos no país e compila dados do ICT Development Index e de instituições como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), além da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD), extraídos entre os anos 2008 e 2009.