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Muito além da política

Luís Victorelli
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos chegando cada vez mais próximos de uma nova eleição. Uma não, em poucos meses escolheremos o presidente da República e o vice, governadores e vices, senadores, deputados federais, deputados estaduais, deputados distritais, caso de Brasília, e respectivos suplentes. Puxa, é muita responsabilidade! A cada novo dia a disputa começa a se acirrar. O discurso morno, e falsamente despretensioso, começa a dar lugar a uma acalorada troca de informações que se transforma em acusações e que, quando menos se espera, descambará para ofensas. Uma guerra que tem seus motivos. O Brasil é uma das maiores economias do planeta, com uma riqueza anual gerada na ordem de U$1,5 trilhão; um país continente com geografia e política estratégicas, que ainda tem a Amazônia, o pré-sal, o aquífero Guarani, e sabe-se lá quantas outras surpresas escondidas em sua pouco estudada biodiversidade.

Como se não bastasse, temos quase 200 milhões de brasileiros, muitos deles novos incluídos, sedentos para consumir. Um povo que, mesmo forjado aos trancos e barrancos, como lembrava o antropólogo Darcy Ribeiro, é gente boa. Os interesses que levam a uma peleja brutal para assumir algum poder de mando sobre tudo isso não são poucos, como podemos deduzir, sem muito esforço, com os exemplos citados. Mas isso não é justificativa para levarmos tão à risca, e a extremos, nossas paixões políticas. A vida é em si a nossa maior razão. O trabalho, o dinheiro, o poder, o status, e mesmo o sucesso político, são instrumentos que podem nos levar ao bem-estar, mas não são o bem-estar. Longe de nos alienarmos, temos que dar a essas disputas apenas o justo valor. Nem menos, com negligência, nem mais, com exacerbação.

Todos buscamos nossos sonhos. Mesmo que o fato de eu me simpatizar com a esquerda e você com a direita nos separe, defender a liberdade de expressão nos une. Se Israel e Palestina nos separam, a paz nos une; se Venezuela e Colômbia nos separam, a América Latina nos une; se Estados Unidos e Cuba no separam, a esperança nos une; se Ahmadinejad e Obama nos separam, o bom senso nos une. Se o ceticismo e a credulidade nos dividem, a ética nos junta. Já deu para perceber que temos mais coisas em comum do que a política é capaz de tirar. Podemos, devemos e temos que defender nossos princípios, ideias e convicções, especialmente num país de desigualdades, mas com a sábia prudência de que a nossa verdade pode não ser tão absoluta quanto julgamos. Um pleito eleitoral é apenas um meio.

E se votar na Dilma, no Serra, na Marina, ou em nenhum deles, nos faz supor que somos tão diferentes; escolher de forma livre, digna e consciente quem nos representa, coloca a nós todos, igualmente de novo, neste mesmo imenso, teimosamente injusto, mas sempre amado barco chamado Brasil. E é bom que ele não afunde.

O autor, Luís Victorelli, é jornalista e colaborador de Opinião -lvbauru@gmail.com

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