Ruralistas de Bauru estão se organizando para resistir ao cerco do Movimento dos Sem-Terra (MST) às fazendas da região. As terras do centro-oeste são o mais novo alvo das ações do movimento no Estado. Desde o ano passado, 12 propriedades rurais foram invadidas por integrantes do MST.
Três invasões ocorreram durante o “abril vermelho” deste ano, uma delas numa parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT). As áreas continuam ocupadas, mas a Justiça já concedeu reintegração de posse para duas delas.
Proprietários das terras invadidas reuniram-se ontem no Sindicato Rural de Bauru para estudar medidas contra as ações dos sem-terra. “Vamos nos valer de todos os recursos jurídicos possíveis”, disse o presidente Maurício Lima Verde Guimarães.
Segundo ele, o MST não poupa nem pequenas propriedades. Uma das áreas ocupadas, o sítio do agricultor Antonio Sorino dos Santos, tem apenas 53 hectares. Ele mora com a família na propriedade e teria sofrido ameaças - Santos não falou com a reportagem porque teme sofrer represálias. Ontem, os invasores foram notificados para deixar o local, mas até o final da tarde a ordem judicial não tinha sido cumprida.
O pecuarista Norival Nicoliero, que teve a fazenda de 210 hectares invadida por 50 integrantes do MST e da CPT, disse que os sem-terra pediram um boi para fazer churrasco. “Como neguei, ameaçaram matar três cabeças.” O presidente do sindicato alertou os associados para evitar confronto.
“O pessoal está armado lá dentro. O confronto só interessa para eles, pois estão à procura de um mártir.” O sindicato indicou advogados e ofereceu apoio aos invadidos. Guimarães pediu ao comando da Polícia Militar agilidade no cumprimento das ordens de despejo.
O dirigente nacional do MST Gilmar Mauro informou que a região possui muitas terras públicas griladas, por isso atrai famílias para os acampamentos. Segundo ele, o governo precisar dar uma resposta para a sociedade sobre os 40 mil hectares de terras da União que foram indevidamente ocupadas por empresas de reflorestamento, cana-de-açúcar e suco de laranja na região.
As ações do “abril vermelho”, segundo Mauro, também objetivam chamar a atenção para as condições precárias dos assentamentos na região.