Brasília - O Conselho de Política Monetária (Copom) decidiu ontem aumentar a taxa básica de juros (Selic) para 9,5% ao ano . A alta de 0,75 ponto percentual já era esperada por parte do mercado financeiro, mas a maioria dos economistas apostava em alta de 0,50 ponto percentual. É a primeira alta de juros desde setembro de 2008, dias antes da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro daquele ano, estopim da crise financeira internacional.
“Dando segmento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,5% ao ano sem viés”, informou nota do BC.
Nas últimas cinco reuniões, o Copom havia mantido a Selic inalterada em 8,75% a.a. Na última reunião em março, porém, o conselho já havia se dividido: cinco votaram pela manutenção da taxa e três queriam aumento de 0,50 ponto percentual.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, já havia informado o presidente Lula de que os juros levariam “uma paulada”, argumentando que o desgaste eleitoral seria menor e o efeito na economia mais rápido.
Anteontem, Meirelles declarou que as decisões do Copom são baseadas apenas em critérios técnicos e tomadas individualmente pelos diretores que compõem o colegiado. Segundo ele, a definição da taxa de juros não tem relação com motivações políticas.
Inflação
De acordo com o site de notícias UOL, levantamento do economista Jason Vieira, da consultoria UpTrend aponta que o Brasil é o país com a maior taxa de juros reais do mundo (4,5%), entre as nações com participação relevante na economia global. Em seguida, vêm Indonésia (3%) e China (2,8%). A menor taxa real, entre os 40 países da lista, é a da Índia, com -9,7%. Os EUA têm uma taxa real de -2,1% e ocupam o 34.º lugar no ranking. A taxa de juros reais representa a Selic, descontando-se a inflação projetada para os próximos 12 meses.
O aumento de juros é o remédio adotado pelo Banco Central para controlar a inflação, pressionada pela melhora da economia e o aumento do consumo. No último relatório de inflação, o Banco Central projetou em 5,2% o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no fim deste ano - a meta oficial do governo é de 4,5%. A previsão do mercado é que o índice encerre o ano em 5,1%, também acima da meta do governo. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto deste ano foi elevada para 6,0%.
O Copom se reúne a cada 45 dias. A próxima reunião será nos dias 8 e 9 de junho.