Turismo

Nascentes de água e as tradições do povo

Da Redação*
| Tempo de leitura: 7 min

Além de ser uma das áreas com maior concentração de nascentes do País - são inúmeras cachoeiras, rios e riachos pelo caminho - , outro aspecto interessante do roteiro de Santa Catarina é a marca da cultura europeia que se manifesta fortemente nos hábitos e tradições da população. A imigração, inicialmente alemã, seguida da italiana, é visível em muitos aspectos, como a arquitetura, a gastronomia, a música e os esportes.

Durante as pedaladas, o cicloturista poderá, por exemplo, observar a arquitetura enxaimel, proveniente da Alemanha, provar vinhos e queijos produzidos pela tradição italiana e entrar em contato com o modo de vida simples e tranquilo das pessoas do campo. A tradição do ciclismo é também um dos traços da cultura local.

Diariamente, famílias inteiras utilizam a bicicleta como meio de transporte. Por isso, o cicloturista é encarado com muita naturalidade e encontra uma ótima receptividade. Além do circuito a ser percorrido de bicicleta, a região possui diversas opções e infraestrutura turística para a prática de outros esportes de aventura, como rafting, rapel e caminhadas.

Todo o percurso está sinalizado com placas ou setas amarelas e permite que o ciclista possa pedalar de forma auto-guiada. As “pernas” ou trechos de pedalada são de cerca de 50 quilômetros e contam sempre com um local para pernoite no final de cada etapa.

Assim como no Vale Europeu e outros circuitos, o viajante recebe uma credencial que receberá os carimbos de cada uma das cidades por onde passar. Ao final, depois de completar o trajeto, ele recebe um certificado de conclusão.

• Serviço

A retirada do passaporte e do certificado do cicloturista deverá ser feito em Timbó (Associação Vale das Águas, próximo à Thapyoka). O endereço é Avenida Getúlio Vargas, 201, no Centro. Informações pelo telefone (47) 3382-0198, pelo e-mail circuitovaleeuropeu@tpa.com.br ou pelo site www.circuitovaleeuropeu.com.br. (Com informações da Oficina de Palavras)

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Dicas aos viajantes

Não se esqueça de levar:

- Lanche e água para o dia de pedalada.

- Agasalhos, mesmo no verão a temperatura pode cair bastante.

- Capa de chuva, as chuvas são distribuídas ao longo do ano todo.

- Apesar de ser no Sul do Brasil, a região tem dias bem quentes, principalmente no verão.

- Evite levar peso desnecessário, mas esteja autossuficiente em termos de ferramentas e peças sobressalentes.

- Carregue a bagagem na bicicleta, evite levar peso nas costas.

- Equipe a bicicleta com recipientes de água (caramanholas) ou leve mochila de hidratação.

- É importante realizar suas reservas nos hotéis e pousadas com antecedência.

- Uma vez que as estradinhas do circuito não são a ligação mais direta entre as cidades, é aconselhável estudar o roteiro, dia a dia, analisando bem os

mapas, planilhas e planos altimétricos.

- Evite fazer a viagem na época da Oktoberfest, pois a região toda fica muito movimentada.

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Percurso é todo sinalizado

O circuito de cicloturismo de Santa Catarina é o primeiro roteiro no Brasil planejado especialmente para ser percorrido de bicicleta. O trajeto foi traçado de forma a fugir das estradas de asfalto, priorizando assim as estradinhas de terra mais bonitas e tranquilas, passando por nove municípios do Vale do Itajaí.

Todas as distâncias, relevo, atrativos culturais e ecológicos foram pensados de forma que o cicloturista tire o máximo proveito de sua estadia no também chamado Vale Europeu. O circuito tem 300 quilômetros com início e término na cidade de Timbó, a cerca de 30 quilômetros de Blumenau. O percurso pode ser dividido em parte alta e parte baixa. A parte baixa acompanha o vale dos rios, indo de Timbó até Rodeio. Possui subidas e descidas, é claro, mas retorna sempre a uma altitude pouco maior do que a do nível do mar. Por estas características de relevo, pode ser feito por pessoas que possuam um condicionamento físico razoável e certa experiência com bicicleta. Já na parte alta, o circuito sobe a serra em direção às represas, que ficam a cerca de 900 metros de altitude. É uma região um pouco mais isolada, onde a natureza está muito presente. São frequentes os trechos em que a estradinha estreita se embrenha na mata e permite que o cicloturista fique muito próximo dos pássaros e outros pequenos animais.

Nesse trecho, o relevo é mais acentuado e exige um bom preparo físico para enfrentar alguns desafios como os longos trechos de subida, e uma certa experiência em cicloturismo, uma vez que o roteiro cruza locais menos habitados.

A atividade cicloturística é voltada a pessoas que já lidam com a aventura. “Quase que a totalidade dos visitantes traz sua própria bicicleta, por exemplo. São pessoas que têm nas pedaladas um modo de vida”, explica o gestor do Consórcio Intermunicipal de Turismo, Ademir Winkelhaus. Ainda assim, o circuito conta com aluguel de bikes e equipamentos necessários, como as bermudas especiais, capacetes e luvas.

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O circuito

• 1º dia: Timbó/Pomerode

O primeiro dia de pedalada dá uma boa referência de como vai ser o circuito, tanto em termos de beleza quanto de dificuldade. A estradinha de terra que sai de Timbó cruza a cidade de Rio dos Cedros e atravessa um morro para chegar a Pomerode. A subida do morro é o maior desafio físico do dia, mas o visual compensa. Quase chegando a Pomerode, o circuito passa pela Rota Enxaimel, onde há uma grande concentração de casas construídas neste estilo.

• 2º dia: Pomerode/Indaial

O caminho serpenteia os bairros de Wunderwald (em Pomerode) e da Mulde (em Timbó). São duas subidas longas no dia, mas não tão íngremes como a do dia anterior e com trechos planos intercalados.

Pode-se subir a um dos mais conhecidos pontos turísticos da região, o Morro Azul. Há opção de camping no alto do morro, para quem quiser aumentar a viagem em um dia.

• 3º dia: Indaial/Rodeio

Trecho essencialmente plano. A estrada margeia o rio Itajaí-Açu, numa paisagem bastante diferente do restante do circuito. O destaque são as pontes, começando pela dos Arcos, em Indaial. Há também uma ponte pênsil, estreita o suficiente para a passagem de um carro de cada vez. Mais alguns quilômetros em estrada de paralelepípedo e chega-se a Rodeio. Opção de conhecer uma vinícola e um laticínio.

• 4º dia: Rodeio/Doutor Pedrinho

No quarto dia inicia-se a subida para a parte alta do circuito, destinada a quem tem mais preparo físico e espírito aventureiro. É o trecho com a mais longa subida, com 8 km logo no início do dia, boa parte sombreada pela mata. No meio da subida, parada estratégica num laticínio especializado em queijos finos. Em seguida, chega-se à Cachoeira do Zinco. Há opção de pouso no local. A estrada segue em boa parte plana, acompanhando um rio. O atrativo é uma igreja construída no estilo enxaimel, a única do Brasil.

• 5º dia: Doutor Pedrinho/Alto Cedro

Dia dedicado a passear pelos locais mais isolados do circuito. Em certas partes há poucas fazendas e casas. E pouca sombra. Não há subidas tão longas. Antes de começar a subir, a parada obrigatória é a Cachoeira Véu da Noiva. Já no alto da serra, a estradinha vai diminuindo de tamanho até se tornar um gramado verde rodeado por araucárias. No fim do percurso, a estrada encontra uma represa.

• 6º dia: Alto Cedro/Palmeiras

O caminho contorna as duas represas, passando por uma das regiões mais belas do circuito. É um trecho bastante isolado e com poucas sombras. À medida que a estrada se afasta da represa, começa a subir bastante. Faltando alguns quilômetros para o fim do percurso, avista-se a segunda represa.

•7º dia: Palmeiras/Timbó

No último dia, o percurso já volta a passar por locais mais habitados, mas ainda com matas e riachos. Muitas descidas, íngremes e suaves, são a recompensa pelos dias anteriores serra acima. Mas há uma última subida longa e bem forte, na localidade de rio Cunha. Depois de atravessar a cidade de Benedito Novo, a estrada acompanha o belo rio de mesmo nome até alcançar o asfalto que liga Rodeio a Timbó, a poucos quilômetros do ponto final do circuito.

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