Estávamos pescando em Igaraçu do Tietê, num local chamado de Pedreiras, eu e o amigo Tonéte e mais dois pirangueiros. Estávamos sossegados curtindo a pescaria, quando chegou uma turma de pirangueiros de uma cidade vizinha, eram em quatro e tinha no meio deles um garoto de mais ou menos 10 anos.
E sempre tem um gozador no meio da turma. Foi ele que perguntou justo para o amigo Tonéte: “Como é, está dando ai!?”. “Não, estamos pegando pra comer.” E o tal de gozador ficou enchendo o saco com suas piadinhas, até que o amigo Tonéte saiu com esta, falando bem sério para o gozador: “Eu fui pescar lá pra cima da curva do rio e vi um bando de urubus voando ao redor e fui ver o que era e encontrei um cara morto. O mau cheiro é bem forte. Aí eu voltei e deixei o cara para eu não me complicar”.
O tal do gozador perguntou: “Fica longe daqui?”. “Não, é lá na curva do rio.” “Eu vou ver, pode ser um conhecido da gente que vem sempre pescar por aqui.”
E lá se foi o gozador em busca do cara morto. Passou uma hora e ele voltou com o rosto vermelho de raiva e disse para o Tonéte que não tinha encontrado nada por lá. Aí o garoto filho do gozador pegou a piada e fala para o pai: “É o cará que estava morto e não o cara!”
E um amigo do gozador começou a rir e falou: “Você gosta de fazer os outros de trouxa, e agora chegou a sua vez de aguentar a gozação”.
O meu amigo Tonéte ficou meio esperto com o homem, que era um armário de grande. Eu só sei que depois dessa o gozador vai pensar antes de fazer uma piada em cima de pessoas que não conhece.
Florindo Martins é pescador e contador de histórias.