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Inflação assusta e taxa Selic sobe

Paulo Panossian
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de meses calmos com relação às expectativas futuras da taxa Selic, o Copom decide pesar a mão e aumenta o juro básico em 0,75%. E por conta das apostas dos analistas do mercado financeiro que já esperavam esta agressividade do BC, os juros para as empresas e consumidor final sobem também. Com esta majoração a Selic vai para 9,50% ao ano. E com perspectiva que em dezembro chegue a 11,75%. Mas ainda longe dos 25% de janeiro de 2003, início da gestão Lula.

Para que o leitor tenha uma idéia, somente este aumento de 0,75% vai onerar o governo em R$ 7,5 bilhões em 12 meses, devido a pagamento de juros sobre a dívida pública. Fora o custo maior nos empréstimos diários que faz rotineiramente o governo, para rolar suas dividas. Esta despesa vai sangrar ainda mais o caixa do erário que não anda bem, porque o governo Lula gasta muito e mal. Esta aí, o déficit externo que é o maior desde 1947.

Esta decisão dolorosa do Banco Central, está atrelada à alta da inflação, que nestes últimos meses, e devido ao acelerado consumo da família brasileira, tem elevado os preços dos produtos. A inflação como centro da meta é de 4,5% para 2010, mas provavelmente deverá fechar o ano em torno de 5, 5%.

São vários são os motivos para esta escalada da inflação: primeiro, para enfrentar a crise mundial que se instalou no final de 2008, exigiu do governo brasileiro flexibilizar incentivos fiscais, para vários setores como: automobilístico, material de construção, para a linha branca, ou seja, geladeiras, fogões, máquinas de lavar roupas, etc., com o objetivo de sustentar as vendas no varejo, e consequentemente o mercado de trabalho!

Em segundo lugar, como estas ações adotadas deram resultados positivos, o nível de emprego formal e informal vem crescendo, milhares de trabalhadores voltaram a consumir, pressionando os preços.

Cabe afirmar também, que mesmo neste período de crise, as centrais sindicais conseguiram nos dissídios, aumentos reais salariais, ou seja, acima da inflação. Além dos generosos reajustes do Lula para o funcionalismo federal. Estes motivos citados e mais o crédito farto, alimentaram o mercado, e desequilibrando a sustentabilidade do crescimento do PIB.

Mas gargalos na nossa infraestrutura é que não faltam. O que vem impedindo que o País produza mais e com menor preço. Por falta de investimento, as estradas estão um caos, portos estagnados e caro, aeroportos saturados, e ferrovias insuficientes para transportar nossa produção. Isso sem falar nos altos encargos trabalhistas, e juros dos mais perversos do mundo.

Para nossa sorte, é bom lembrar que, com o dólar barato, os produtos importados chegam com preços convidativos e tem evitado mais pressão sobre a inflação. Caso contrário a situação estaria pior.

É imperioso que um próximo governo invista muito nas áreas prioritárias já citadas, para que as empresas brasileiras tenham condições de competir interna e externamente. E não cair em tentação de gastar os recursos arrecadados dos contribuintes, de forma irresponsável como vem fazendo há quase oito anos o governo Lula. A inflação é um vírus sempre indesejável...

O autor, Paulo Panossian, é jornalista é colaborador do Opinião

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