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Sem candidatos para o concurso de médicos, HE acumula consultas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo com aumento salarial e redução da jornada de trabalho, o Hospital Estadual (HE), administrado pela Faculdade de Medicina de Botucatu e Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), não consegue atrair médicos para participar de seu processo seletivo. As inscrições se encerram hoje e apenas nove profissionais tinham se inscrito até ontem para o concurso. Ao todo, são 26 vagas para o Hospital Estadual, Hospital Manuel de Abreu e Ambulatório Médico de Especialidades (AME).

Além de médicos, serão contratados fisioterapeuta respiratório, técnico em farmácia, telefonista, ortoptista, auxiliar de cozinha e de serviços gerais para a lavanderia. O processo seletivo busca contratar médicos em 20 especialidades: cirurgia oncológica, cirurgia vascular, fisiatria, infectologia, reumatologia, radiologia, ultrassonografia, urologia, otorrinolaringologia, neurologia clínica, ortopedia pediátrica e nefrologia pediátrica. Ainda serão selecionados médicos que atuem nas áreas adulto e pediátrica em oncologia clínica, pneumologia, cardiologia e gastroenterologia.

A falta de especialistas nessas áreas já está afetando o atendimento aos pacientes. De acordo com a assessoria de comunicação da unidade, em quase todas as especialidades que estão em busca de médicos, o agendamento de novas consultas está sendo feito para meados do segundo semestre. Em algumas delas, como reumatologia, neurologia, pneumologia pediátrica e ortopedia pediátrica, por exemplo, o paciente só consegue atendimento para depois de outubro.

Para Lúcia Elena Vieira Pierim, supervisora de recursos humanos do Hospital Estadual, para atrair os candidatos, foi alterada a faixa salarial oferecida e também a carga horária. As vagas para médicos são para jornada de 20 horas semanais com salário base de R$ 3,8 mil. E ainda assim, há dificuldade para conseguir as inscrições. “O problema é em todo Estado. O serviço público já não é tão atrativo para os profissionais pela questão salarial”, pondera. Ela também observa que os profissionais possuem uma visão errada sobre o serviço público. “Acreditam que vão encontrar um ambiente com falta de recurso material e com uma equipe não tão competente, onde não vão conseguir desenvolver seu trabalho. Porém, temos recursos e profissionais extremamente capacitados atuando em nossas equipes.”

Avaliação

Carlos Alberto Monte Gobbo, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), explica que ao procurar um trabalho, os médicos observam fatores como ambiente de trabalho, questão salarial e perspectivas de ascensão na carreira. Ele avalia que o Hospital Estadual deve procurar entre esses quesitos o que pode estar desagradando os possíveis candidatos.

“O gestor, quando se depara com uma situação dessas, deve analisar onde pode estar o problema”, observa. Gobbo ressalta que o médico não busca somente um emprego, mas boas condições de desenvolver seu trabalho. “Busca uma perspectiva de ascensão profissional, no futuro, uma aposentadoria compatível com o investimento em sua formação”, ressalta. Ele também pondera que o próprio hospital deve conseguir superar essa dificuldade. “O Hospital Estadual tem boa estrutura, é administrado por profissionais capacitados, que vêm de universidade e conhecem as exigências dos profissionais”, destaca.

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Novo processo

Em maio, o HE deve abrir novo processo seletivo para a contratação de profissionais em mais quatro especialidades, como ortopedia, cirurgia plástica, oftalmologia, endocrinologia e medicina do trabalho. O edital já está disponível no site da Famesp (www.famesp.fmb.unesp.br) e as inscrições vão de 3 a 14 de maio. A jornada de trabalho é de 20 horas semanais e o salário base, R$ 3,8 mil.

• Serviço

Inscrição para o concurso e outras informações no www.famesp.fmb.unesp.br.

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