Washington - O óleo que vazou da explosão de uma plataforma no golfo do México começou a atingir a costa sul dos EUA ontem, ameaçando aves marinhas, manguezais e a bilionária indústria pesqueira da região.
O custo para a indústria da pesca da Louisiania pode chegar a US$ 2,5 bilhões, enquanto o impacto sobre o turismo no litoral da Flórida pode ser de US$ 3 bilhões, declarou Neil McMahon, analista da firma de investimentos Bernstein, em nota de pesquisa divulgada ontem.
O desastre, que pode se tornar o mais grave do gênero no país em décadas, fez o presidente Barack Obama suspender ontem todas as novas licenças para exploração de petróleo no mar. Ele pediu ao secretário do Interior, Ken Salazar, que liste em 30 dias as tecnologias que possam ser usadas para evitar novos acidentes do tipo.
“Vamos nos assegurar de que todas as concessões autorizadas tenham essas salvaguardas”, declarou o presidente. A suspensão das licenças não deve ter efeito imediato, já que não há pedidos pendentes para os próximos meses.
A ampliação da exploração oceânica é peça-chave da política de clima e energia da Casa Branca. Ao liberar o litoral do Atlântico e o norte do Alasca às perfurações, o governo espera reduzir a dependência de óleo do Oriente Médio e angariar votos republicanos para a lei de mudança climática, em fase crítica de tramitação no Senado.
Porém, poucas horas depois da declaração de Obama, uma segunda plataforma virou no golfo. Até esta noite, não havia informação sobre risco ambiental.
Resistência
A mancha de mais de 200 km de extensão foi produzida após o acidente com a plataforma Deepwater Horizon, operada pela petrolífera BP, no último dia 20. A explosão, que afundou a plataforma e matou 11 pessoas, causou o vazamento de óleo cru de um poço a 1.500 metros de profundidade. Estima-se que 5.000 barris estejam vazando por dia. Várias tentativas de limpar o petróleo já foram feitas, de queimas controladas até a pulverização com produtos químicos. Mas as condições meteorológicas ruins - ondas fortes e previsão de temporais - estão atrapalhando.
O governador do Alabama, Bob Riley, declarou estado de emergência. Antes, os governos de Louisiana e Flórida haviam tomado medidas semelhantes.
O governador do Estado da Louisiana, Bobby Jindal, disse também que as dezenas de quilômetros de boias de contenção que estão sendo empregadas não estão conseguindo conter a mancha.
Exxon Valdez
Se o derramamento persistir por esse tempo, o desastre no golfo pode superar o pior derrame de óleo da história dos EUA, o do superpetroleiro Exxon Valdez, em 1989, no Alasca.