Todos os países têm a sua cultura de exportação que acabam criando os estereótipos pelos quais os demais países os julgam ou avaliam.
Assim é com os livros ingleses, até mesmo Agatha Christie ou Sherlock Holmes nos quais ingleses são apresentados como lordes, ladies e eventualmente um criminoso que logo é preso e a justiça se faz sempre com a sabedoria e a inteligência de um inglês legítimo ou adotado e a exibição de toda a sua nobreza, que permeia os seus romances.
A França exporta uma filosofia de vida, um “savoir faire” típico de Simone de Beauvoir e Sartre e Françoise Sagan, além dos grandes históricos de Dumas, Victor Hugo, Balzac, Mallarmé e outros sempre o francês digno, seja na literatura seja no teatro ou na filosofia.
Os portugueses falam de suas glórias e conquistas com autores de alto nível como o divino Eça ou o mais que divino Fernando Pessoa, sem falar no maior de todos, Camões.
A Espanha, desde Cervantes até os de vanguarda nunca deixam de cantar glórias e louvores à raça que se uniu aos portugueses em suas conquistas culturais e materiais de enriquecimento em todos os níveis.
Os italianos, meu Deus, quanto se fizeram admirar sendo quase que a base da cultura do nosso cotidiano com a grande influência exercida entre nós pelos nossos nonos e nonas, ensinando-nos e mostrando-os como um grande povo, digno de ser imitado na sua cultura e no seu modo de viver, desde Dante, Umberto Eco e até mesmo Pitigrilli.
Os americanos então, em seus livros exportados, seus filmes, seus teatros, só mostram como o americano é certinho, castiga o mal e faz sempre o bem: são todos heróis.
Assim, numa visão rápida e superficial, sem querer abusar muito da paciência do leitor, chegamos à triste conclusão: só o brasileiro é que leva seus podres para exibir lá fora; suas favelas, seus malandros, seus cafajestes, seus traficantes, seus macumbeiros e seus policiais e políticos corruptos, além dos indecentes e quase pornográficos reflexos do Carnaval.
Isso não é humildade, é falta de vergonha mesmo.
A autora, Isolina Bresolin Vianna, é membro da ABLetras - cadeira 12