Durante a sessão de ontem do Legislativo, vereadores cobraram agilidade do prefeito Rodrigo Agostinho na realização de obras em Bauru e pediram que ele se inspirasse no exemplo da Copa Davis, quando a administração municipal trabalhou num ritmo acelerado para deixar a cidade preparada para o evento. Além disso, os parlamentares criticaram projetos de lei considerados inócuos, como o que propôs estacionamento para bicicletas e o que considera idosas as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.
“É preciso um ato de coragem. Não dói. O prefeito deveria chamar todo o seu secretariado, organizar uma força-tarefa e fazer. Não podemos dar passos largos na recuperação de Bauru. Além disso, esta Câmara está sendo agraciada com projetos que não servem para nada, como o caso do projeto de estacionamento para bicicletas. Infelizmente, por vício de iniciativa não podemos apresentar muitas propostas. Então, vamos parar com isso”, afirma o vereador José Roberto Segalla (DEM).
O tucano Marcelo Borges (PSDB) sugeriu que Bauru tivesse uma Copa Davis na Vila Falcão. “As coisas vão muito devagar.” Segundo ele, a rotatória da avenida Comendador José da Silva Martha demorou meses para sair do papel. Bastou o anúncio da realização de um torneio internacional de tênis na cidade para as obras decolarem. “Queremos essa agilidade do prefeito.” Borges reclamou que Agostinho enviou proposta para a Câmara propondo a realização de uma solenidade para o Atirador no próprio Legislativo. “Criou despesa para a Câmara. Ele acha que é vereador.”
Na opinião de Roque Ferreira (PT), quando são usadas para atender alguns interesses de classe, o prefeito é extremamente ágil. “O conceito de agilidade deve ser analisado. Não é pressa, nem estabanamento. Depende do olhar que se tem sobre a cidade. Ele foi ágil para aumentar as tarifas.”
Para o líder do governo, Renato Purini (PMDB), as intervenções feitas em Bauru foram necessárias não só pela Copa Davis, e criticou a posição dos colegas. “Se faz é porque faz. Se não faz é porque não faz. Se fosse assim, no ano passado o prefeito não teria feito a duplicação da Comendador. A cidade está bem cuidada. Temos quase 1 mil quadras de asfalto, contando as licitações e convênios, galerias, as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) sendo construídas. Isso tudo não veio só pela Copa Davis.”
Em relação à não apresentação de projetos interessantes, o peemedebista rebate: “Como não há projetos importantes? Há algumas semanas votamos o projeto de lei da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Temos o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da Administração Geral.”
Sessão
Apenas três projetos de lei, todos de autoria do Executivo, foram apreciados na sessão de ontem. O primeiro e mais polêmico foi rejeitado por 11 votos a quatro. Apenas Renato Purini (PMDB), Natalino da Pousada (PV), Paulo Eduardo de Souza (PSB) e Francisco Carlos de Góes, o Carlão do Gás (PR), votaram a favor da proposta, que dispunha sobre a obrigatoriedade em destinar área para estacionamento de bicicletas (bicicletário) em shopping centers, hipermercados, agências bancárias e similares (acima de 500 metros quadrados). A quantidade de vagas para bicicletas será de cinco para cada 100 vagas destinadas a veículos automotores.
O projeto rejeitado foi primeiramente apresentado por Carlão do Gás, mas por vício de iniciativa foi retirado da pauta e reapresentado pelo Executivo. A proposta tinha a finalidade de incentivar o uso da bicicleta, propiciando aos ciclistas maior facilidade e comodidade no exercício de suas atividades e, por consequência, contribuir com o meio ambiente. A ideia era incentivar transportes alternativos e públicos para a cidade.
“Infelizmente, o projeto que partiu do próprio vereador e muitas cidades já adotaram, foi rejeitado”, lamentou o prefeito, ontem à noite. Os demais projetos da pauta, de doação de áreas, foram aprovados.