Brasília - O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., anunciou ontem que deve tirar férias do cargo para se dedicar à sua defesa. O presidente Lula considera muito difícil que Tuma Jr. consiga se manter no posto depois da saída temporária.
Na avaliação do presidente, não há nenhuma prova de que o secretário tenha “cometido um crime”, mas suas conversas com uma pessoa acusada de contrabando tornam sua situação quase “insustentável”.
Auxiliares do presidente vão além. Acreditam que ele não volta ao cargo graças às investigações que serão feitas pela Comissão de Ética da Presidência da República e pela CGU (Controladoria Geral da União).
Outro problema que pode dificultar a volta: a Polícia Federal pode abrir uma investigação para apurar suas conversas.
A despeito de todas as evidências de que sua situação pode se tornar insustentável, Tuma Jr. descartou ontem a possibilidade de licença.
“Tenho que mostrar que eu não cometi nenhum ilícito, nenhuma irregularidade. Pretendo tirar alguns dias de férias, sim. Mas você pode ter certeza de que eu vou voltar com a alma lavada e com a honra restabelecida”, disse Tuma Jr. ao “Brasil Urgente”, de José Luiz Datena, na TV Bandeirantes.
Ontem a PF revelou, em nota, que há três meses a Corregedoria de São Paulo deu parecer favorável à abertura de um inquérito para apurar a possível relação do secretário com a máfia chinesa de São Paulo. Até agora, no entanto, nenhum inquérito foi instaurado.
Segundo assessores de Lula, o presidente, por gostar de Tuma Jr., quis dar a ele a possibilidade de deixar o posto como se fosse uma iniciativa sua, mas, diante da resistência, ele foi pressionado a pelo menos se afastar temporariamente.
O pedido de férias foi uma das alternativas apresentada a ele pelo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, como forma de tentar encerrar a crise.
Em reunião de mais de três horas ontem, que entrou pela madrugada, Tuma Jr. disse ser inocente e se recusou a deixar o cargo, o que, segundo ele, “feriria” sua “dignidade”.
Luiz Paulo Barreto havia apresentado duas alternativas: licença do cargo ou férias. O ministro avaliou que a exoneração seria uma medida extrema.
Ontem a assessoria de comunicação do Ministério da Justiça divulgou informações conflitantes sobre o futuro do secretário, chegando a anunciar que ele se licenciaria por 30 dias, informação depois desmentida.
Investigações
A CGU começou a investigar o secretário. De acordo com o órgão, foi aberto um procedimento preliminar para averiguar se o Ministério da Justiça, órgão ao qual a secretaria está vinculada, tomou providências para apurar possíveis ilícitos cometidos por ele.
Para a Polícia Federal, existem “diversos indícios envolvendo o secretário Nacional de Justiça”, mas todos eles constam de procedimentos que correm sob segredo de Justiça. A nota diz que é necessária autorização judicial para uso do material apreendido durante a operação Wei Jin.