Geral

Vigilante Rodoviário continua ‘na ativa’

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Das telas da televisão para a vida real. Essa é a história de vida e amor à profissão do famoso e lendário Carlos Miranda, o vigilante rodoviário, personagem protagonista do primeiro seriado de mesmo nome filmado em película para televisão e exibido na década de 60, que se tornou um marco na história do cinema brasileiro.

De passagem por Bauru, ele comemora o sucesso que o seriado está fazendo novamente, já que desde o ano passado voltou a ser exibido no Canal Brasil (TV fechada). Até hoje ele promove palestras sobre cinema e o seriado, mantendo-se “na ativa”.

Carlos Miranda, hoje com 77 anos, nasceu em 29 de julho de 1933 no bairro da Mooca, em São Paulo. O então garoto, perdeu o pai ainda criança e teve que trabalhar desde os 10 anos de idade para ajudar a mãe e os irmãos. Com 15 anos iniciou a sua carreira artística como cantor de circo. “Eu tinha muito apoio da minha mãe. Ela era minha maior fã”, afirmou Carlos.

Mas foi em 1949 na cinematográfica Maristela, onde era designado ao cargo de assistente de produção, que Carlos descobriu a paixão pelo cinema. Nessa mesma época ele começou a participar do Teatro Popular do Serviço Social da Indústria (Sesi), onde frequentou as aulas de artes cênicas. Infelizmente, a cinematográfica Maristela faliu após alguns anos, e de lá o ator resgatou os equipamentos para a montagem do primeiro estúdio de dublagem de filmes estrangeiros do Brasil.

Carlos relata que, na época já com 26 anos, ele e o cineasta Ary Fernandes queriam produzir algo diferente das novelas e que atraísse a atenção do público. Então, logo pensaram em um heroi. “O heroi era ideal. Mas que tipo de heroi? Pensamos então na Polícia Rodoviária, que tinha sido criada recentemente e realizava um trabalho maravilhoso nas antigas estradas”, relata.

Heroi

Escolheu-se então o protagonista do seriado, o vigilante rodoviário. Mas todo heroi tem uma característica marcante, como por exemplo um animal de estimação. De acordo com Carlos, eles pensaram em tudo: cavalo, gato, mas a última e melhor opção foi o cachorro. “Na época o Lobo, como nomeamos o meu cão companheiro, era símbolo de uma propaganda. Então procuramos logo o pastor alemão para fazer parte do nosso seriado. Ele era ideal”, lembra.

Com renda própria, eles produziram o seriado e começaram a correr atrás de produtoras que aprovassem e apoiassem financeiramente a ideia. Mas, segundo o ator, não foi fácil. “Nós recorremos a muitas pessoas e encontramos Guilber Valtério, que era dono de grande parte de uma fábrica de chocolates e resolveu apostar no nosso trabalho”, completa Carlos.

O seriado “O Vigilante Rodoviário” passou a ser exibido na antiga TV Tupi, e já no primeiro mês de exibição disparou na frente dos concorrentes atingindo 67% da audiência da época. A bordo de uma motocicleta Harley Davidson ou de um automóvel Simca Chambord 1959, sempre acompanhado de Lobo, o inspetor Carlos lutava contra o crime. A série teve apenas 38 episódios filmados.

Para abranger mais o seu público-alvo, o produtor e o diretor resolveram transformar quatro episódios em um filme longa metragem e lançar nos cinemas. “A estreia foi no antigo Cine Art-Palácio, em São Paulo, e foi um sucesso de bilheteria”, relembra o ator.

Comentários

Comentários