Mais de 140 policiais civis e militares “invadiram” a favela da Vila São Manuel no início da manhã de ontem. Durante a Operação Favela Legal, dezenas de casas foram vistoriadas e pessoas detidas. De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, do 1.º Distrito Policial, muitos usuários de drogas iam até o local em busca de entorpecente e acabavam consumindo por ali mesmo, como numa lanchonete de fast food. Em um dos imóveis vistoriados, Silberto afirmou que a polícia encontrou 23 pessoas consumindo entorpecente. O capitão Flávio Jun Kitazume, coordenador operacional do 4.º Batalhão da PM do Interior (4.º BPMI), ressalta que o policiamento repressivo continuará patrulhando no local.
De acordo com Silberto, houve um aumento pontual na incidência de alguns delitos na região da favela, na zona noroeste da cidade. “Pequenos furtos e roubos, onde a suspeita era que os autores estivessem sob efeito de drogas”, explica. Kitazume ressalta que as características do bairro facilitam o surgimento de pontos de vendas de drogas. “Além disso, o crack motiva uma necessidade quase imediata de repetir a dose. É quando acontecem delitos de oportunidade, como furtos e roubos, para o usuário comprar mais droga”, observa. Ao todo, 62 policiais civis e 81 militares participaram da Operação Favela Legal.
O delegado observa que com o aumento pontual da criminalidade na região, foi necessária a intervenção de policiamento preventivo e repressivo. “Lá estava se estabelecendo ambiente hostil. Não deixavam entrar os Correios, a CPFL”, observa. Segundo ele, toda a área da favela foi mapeada e 17 locais com interesse policial foram elencados. “Pontos ligados direta ou indiretamente ao crime, como imóveis que poderiam ser usados para esconder algum produto de furto”, observa Silberto.
Durante a pesquisa, Silberto conta que ficou constatado que os usuários acabavam consumindo a droga, principalmente crack, dentro da favela. Dessa forma, ele avalia que os traficantes evitavam que seus “clientes” fossem pegos pela polícia e acabassem entregando seus fornecedores.
Pouco depois das 6h, a polícia entrou na favela. De acordo com Kitazume, a cavalaria da Força Tática da PM e equipes das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) iniciaram a ocupação pelas vias onde as viaturas não conseguiam chegar e bloqueando as possíveis rotas de fuga. Em seguida, o restante dos policiais chegou por dois lados, cercando a favela. Os policiais do Canil também participaram da operação.
Com 17 mandados de busca e apreensão para cumprir, começaram a vasculhar os endereços em busca de armas e entorpecentes. De acordo com Silberto, em um dos locais a cena impressionava. “Num ambiente, chamando por eles de ‘motel’, havia 23 pessoas consumindo drogas. Um lugar degradante.”
Silberto ressalta que quando perceberam a chegada da polícia, muitas pessoas acabaram se desfazendo de drogas, dificultando relacionar a quem pertencia o entorpecente. Várias porções de crack foram apreendidas e R$ 800,00, provavelmente relacionados com o tráfico, foram localizados. Um cão da PM também encontrou uma porção de 300 gramas de maconha enterrada em um buraco.
Foram lavrados cinco boletins de ocorrência. Um evadido da Penitenciária 2 de Bauru, que deveria ter voltado após a saída temporária de Dias das Mães, foi preso.