Após enfrentarem ontem a madrugada mais fria deste ano - 10,6 graus, segundo informações do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), contra 11 graus verificados em abril -, muitos bauruenses (sobretudo aqueles que não são fãs do frio) devem estar loucos para que o calor volte.
Aos friorentos, uma má notícia: a tendência, segundo os especialistas, é que os termômetros “caiam” ainda mais nos próximos dias. Para a madrugada de amanhã, o IPMet, em parceria com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), de São José dos Campos, espera uma diminuição mais acentuada das temperaturas em Bauru.
Se as previsões se confirmarem, a queda será de até 8 graus. A meteorologista do IPMet Zenilde Pedrosa Emídio faz um prognóstico mais otimista. Para ela, a mínima ficará em torno de 9 graus. “Essa queda nas temperaturas foi ocasionada por uma massa de ar frio, vinda do Sul do continente, que está perdendo força”, explica.
De acordo com ela, a partir de sexta-feira existem grandes chances de a temperatura subir em Bauru. Isso certamente representará um alívio para o lavrador Juvenal Caetano da Silva, idade ignorada. Natural de Garça, ele viajou para Iacanga, dias atrás, a fim de arrumar trabalho no corte da cana.
Como não foi contratado, Silva resolveu retornar para a cidade natal, localizada a 70 quilômetros de Bauru. Como não tinha dinheiro para a condução, o lavrador precisou fazer a primeira parte do percurso a pé.
Caminhou 50 quilômetros pelo acostamento da rodovia Bauru-Iacanga (SP-221), desde as 15h de segunda-feira até as 6h de ontem. Em Bauru, quase esgotado, procurou abrigo sob um viaduto próximo à linha do trem para poder descansar.
Obviamente, a hospedagem gratuita não incluía lençóis limpos ou cobertores de lã. Além do mais, Silva não carregava consigo uma blusa sequer. “Precisei me embrulhar numas caixas de papelão usadas”, afirma o lavrador, que admite não ser muito fã do frio. “É ruim para quem tem de acordar cedo”, explica.
Silva está ciente de que a temperatura deverá cair ainda mais nos próximos dias. Porém, enquanto não for capaz de levantar fundos para sua passagem de volta a Garça, terá de se virar sozinho nas ruas de Bauru. “Hoje (ontem) vou tentar conseguir uma coberta no albergue. Acho que isso já servirá para dar uma tapeada no frio”, diz Silva.
Conhecido como o “hippie da praça Rui Barbosa”, o artesão Celsão de La Mancha também não é muito chegado às baixas temperaturas. “Sou mais o calor. No frio você diminui o ritmo e tem de se encher de roupas”, diz. Outro fator que o incomoda no inverno é presenciar situações como a de Silva.
“Nosso País está uma sacanagem. A grana está valendo mais do que o ser humano. A política social daqui é péssima. Basta você ver a quantidade de deputados que lutam, atualmente, para barrar o projeto da ‘ficha limpa’ (que, se aprovado, impediria políticos em débito com a Justiça de disputarem eleições), enquanto esse pessoal (aponta para o lavrador) morre de frio nas ruas”, diz.
Apesar da queda registrada nas temperaturas nos últimos dias, os estudiosos acreditam que o inverno (cujo início será no próximo mês) deste ano não será dos mais rigorosos. “As temperaturas deverão ficar até um pouco acima da média. Isso não significa que a região não será atingida por ondas esporádicas de frio ocasionadas por deslocamentos de massas de ar”, afirma Zildene.