Polícia

Pedreiro é assassinado no Eldorado

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

“Deus dá a vida. Vamos conservar”. Esses dizeres estão gravados em uma pequena placa de madeira, que se encontra dependurada sobre a porta de um dos cômodos da casa onde o construtor Ademir Paes de Luna, 65 anos, morava. Ontem de manhã, nessa mesma sala de visitas improvisada - de um casebre de madeira situado na quadra 5 da rua Laudze Garcia de Menezes, no Jardim Eldorado, zona oeste de Bauru -, o pedreiro foi encontrado estirado ao chão, com um ferimento profundo na cabeça. Estava sem vida.

A suspeita é de que ele tenha morrido há pelo menos três dias. Em conversas com os moradores do bairro (ninguém quis gravar entrevista), a reportagem apurou que Ademir fora visto pela última vez no sábado à noite, quando passou algumas horas sentado em frente à casa, batendo papo com os vizinhos.

Os moradores contam que, na manhã seguinte, Aguinaldo Inácio da Silva, 33 anos, o outro ocupante da casa, podia ser visto caminhando pela vizinhança. Desde o ano passado ele trabalhava para Ademir, como servente de pedreiro.

Os dois dividiam o imóvel há pouco mais de dois meses. Segundo informou um familiar de Aguinaldo (que não quis se identificar), antes o servente vivia com a irmã, mas precisou se mudar por conta da incompatibilidade de gênios entre os dois.

O parente ouvido pela reportagem afirma que Aguinaldo chegou a ameaçar a irmã de morte, durante uma das derradeiras discussões. De acordo com o familiar, anos atrás o servente também teria esfaqueado duas pessoas no município de Maracaí, região de Assis.

Aguinaldo não é visto no bairro desde domingo. A casa permaneceu trancada por todos esses dias, até que ontem de manhã, a família resolveu ir até o local, em busca de notícias sobre Ademir. Apesar do frio e do vento, um odor insuportável se desprendia do interior da construção.

Um irmão do pedreiro precisou arrombar uma janela para entrar na casa. Em seguida, a fechadura de uma das portas também foi arrebentada, para facilitar a entrada da Polícia Militar (PM), que a essa altura já havia sido acionada.

Não demorou muito e a casa estava rodeada de curiosos (muitas crianças, inclusive), pasmados com a forma brutal como Ademir havia sido morto. Os olhares de todos só se desviaram do local do provável crime quando, a algumas quadras dali, duas mulheres iniciaram uma luta corporal, motivada por questões passionais.

Terminado o entrevero, a pequena multidão voltou integralmente suas atenções para a morte misteriosa. De acordo com os vizinhos, durante o tempo em que viveram juntos, Ademir e Aguinaldo nunca tiveram uma briga séria.

No final de semana em que o pedreiro foi visto com vida pela última vez, os moradores não perceberam qualquer movimentação estranha no interior da residência. O filho de Ademir, que não quis conceder entrevista, disse à reportagem que o pai nunca havia feito queixas sobre o comportamento do servente. De acordo com ele, aparentemente os dois se davam bem.

Contudo, um homem que trabalhou com Ademir durante alguns meses (ele não quis se identificar) afirmou à reportagem que a relação entre o pedreiro e o servente já não era tão sólida como antes. Segundo essa fonte, Aguinaldo estaria se esquivando de ajudar a pagar as despesas do imóvel.

Ao que tudo indica, Ademir estava disposto a “despejar” o servente - e pretendia fazê-lo no sábado que passou.

“Ele levou a morte para dentro da própria casa. Até na Bíblia está escrito: ‘Ai daquele que confia no homem’ - pois apenas Deus é capaz de ler o que se passa nos corações das pessoas”, acusava um dos irmãos de Ademir, numa alusão a um texto atribuído ao profeta Jeremias.

O delegado plantonista Ronaldo Divino, que compareceu ao local do crime, evitou fazer declarações sobre o caso. Ele disse que irá aguardar a divulgação do laudo do Instituto de Criminalística (isso poderá demorar até dez dias) para se pronunciar.

O caso foi registrado no Plantão da Polícia Civil como homicídio e será investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru.

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Marretadas

Embora ainda não exista um laudo definitivo sobre a morte do bauruense Ademir Paes de Luna, 65 anos, o Jornal da Cidade teve acesso a informações preliminares sobre as circunstâncias em que o pedreiro foi morto.

Ademir foi encontrado caído na sala de visitas da casa onde vivia, no Jardim Eldorado, com a cabeça toda ensanguentada. O ferimento, localizado na lateral do crânio, aparentava ter sido produzido por martelo ou marreta.

A pancada que ocasionou a morte do pedreiro fez com que o sangue esguichasse, manchando a parede da sala a dois metros e 20 centímetros de altura do solo. É provável que Ademir estivesse deitado no sofá da sala no instante em que foi golpeado.

O impacto da pancada teria feito o corpo rolar para o chão. Ontem pela manhã, a perícia ainda não havia localizado o objeto usado no crime. Porém, ao lado do cadáver foi encontrado um pedaço de madeira, semelhante a um cabo de marreta, repleto de manchas de sangue.

O interior do imóvel não apresentava indícios de luta corporal, o que reforça a hipótese de que Ademir foi ferido enquanto dormia. Ontem pela manhã, a polícia ainda não tinha notícias sobre o paradeiro do servente de pedreiro Aguinaldo Inácio da Silva, 33 anos, que também morava na casa. Ele está desaparecido desde domingo.

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