Tribuna do Leitor

A VIOLÊNCIA HUMANA


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A violência humana inicia dentro do lar onde a princípio a criança nasce e cresce envolto de proteção redobrada até o dia em que começa a dar os seus primeiros passos. Mãos leves ou pesadas descem no “bumbum” ou na “cabeça”, concomitantemente com o grito autoritário sem explicação da pessoa “superior” e mais “forte” que a indefesa criança. Já na sua pré-adolescência essa criança está mais que condicionada a se defender dos mais fortes. Adestrada tal qual um animal irracional.

E os que assim condicionaram, antes, a criança, um lindo bebê, “lamentam” que o “filho” é problemático, violento, mal na escola, a professora e a escola são os responsáveis, descobre que o filho é um “drogado”, sustenta filho e netos com mísero salário mínimo, o governo não faz nada etc.

Muros e mais muros altos rodeados de “fios elétricos” se erguem, rodeando casas, edifícios e condomínios. Centro de Detenções, Centro de Ressocialização e Presídios empipocam nos municípios dessa imensa nação chamada “Brasil”. Abarrotam a Justiça. A questão é social. Políticos, não políticos, governos e os mais variados profissionais das áreas de psicologia, social e direito discutem como “lidar” com os “bandidos”.

Eis que de nós eles aprenderam. Somos “mestres” da violência humana. Nós adestramos as crianças e já adultos, os chamamos de “bandidos”. “Bandidos” esses, que um dia foi “criança” tão pura quanto um “anjo”, que na realidade mesmo adulto, ainda o é. Somos responsáveis para criarmos os “antídotos” para ressuscitar a pureza da alma que ao longo dos anos, “castramos”.

O mundo da criança é puro, sem maldade e sem malícia. Participando a vida juntos, notamos nela que a tudo nos “observa” e “aprende”. Entende quando explicado com clareza e naturalidade. Sente feliz ao incluí-la como “gente racional”, claro, com o uso das palavras e explicações próprias da idade. Não vejo a necessidade de uso da violência física ou verbal para explicar o “certo” e o “errado” a cada ato praticado por criança que é “racional”.

Eu, como criança, quero receber proteção, carinho, confiança e elogio dos pais. Deles, quero aprender como se defender e comportar na vida em comunidade, longe da “violência humana”. Quando me “bate” ou dá “bronca” sem explicação, como dói a alma. É horrível e terrível o sofrimento. Tenho medo do “adulto”.

Ninguém me vê e ninguém me ouve. Socorro!!! Sou criança, ainda indefesa. Não fiz e não faço por mal. Ainda não sei o que é certo e o que é errado para um adulto. Quero ser igual você, papai, mamãe. Ensine-me, por favor!!!

Shigueko Sakai

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