Após 30 dias em greve no mês de abril último, os professores das escolas estaduais voltaram às aulas. Infelizmente, frustrados indignados, e sob pressão, pela insensibilidade do ex-governador José Serra e do secretário da Educação, Paulo Renato Souza.
A propaganda que o governo do Estado permanece fazendo na TV sobre bônus concedido aos professores e as melhorias do ensino passa uma imagem falsa para a sociedade e macula a imagem dos professores.
Comporta registrar: a revista Educação & Cidadania, volume 8, número 1/2009, editada pela Editora Átomo de Campinas (SP), publicou “Manifesto em defesa da educação e dos professores”, subscrito por vários professores das seguintes universidades: USP, Unicamp, UFS, UB, UCG, PUCSP, UFJF, UFSC, UFMG.
Inicia o Manifesto afirmando: A educação é patrimônio da Nação. Ela não é bandeira de grupos, partidos ou governantes, mas instrumento para o desenvolvimento econômico, social e cultural do País. A educação pública de qualidade pode abrir as portas do futuro para milhões de brasileiros. Sobre a situação salarial dos professores diz: No Estado de São Paulo, considerando que se trata do maior Estado da Federação, oferece apenas o décimo salário entre todos os Estados do País. Ainda, sucessivos governos estaduais vêm fomentando entre os professores uma descabida competição, por meio de políticas como a de bônus, que supostamente premia os “melhores”, mas que, na verdade, objetivamente pune os professores.
Ressalta: Não é possível aplicar na escola pública métodos e procedimentos típicos da gestão de uma empresa privada. Pois a educação é uma relação dialógica entre seres humanos; ela não produz matéria, mas forma cidadãos. Assim, conceitos como “eficiência” e “produtividade” são critérios inadequados de aferição da qualidade da educação. Antes ela deve ser medida pela sua capacidade de contribuir para alterar destinos e para transformar a realidade em que vivemos.
Por essa e outras razões, afirma o Manifesto, não podemos concordar com a política que vem sendo adotada pelas autoridades educacionais da Secretaria Estadual da Educação, as quais buscam responsabilizar os professores pelas deficiências decorrentes da ausência de políticas educacionais efetivas no âmbito da rede estadual de ensino.
Conclui o Manifesto afirmando que: “Nós, que subscrevemos este manifesto, vimos a público nos solidarizar com os professores da rede estadual de ensino de São Paulo neste momento em que sofrem tantos ataques por parte do Poder Público”.
Como se constata, o Manifesto assinado por professores de várias universidades oficiais estaduais de São Paulo e federais, incluem-se particulares, mostra cabalmente que o ensino público estadual paulista na área da educação básica está com problemas sérios, e não é culpa dos professores, como insistem as autoridades estaduais: passar aos pais e à sociedade, os professores como culpados, fazendo inclusive greve “política”.
Rodolpho Pereira Lima