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Prometeu redivivo

Paulo Hayashi Jr
| Tempo de leitura: 3 min

A estória de Prometeu não é nova, mas se mostra de extrema atualidade devido ao desenvolvimento tecnológico e aos impasses dos cientistas enquanto seres ainda imperfeitos e de elevação moral duvidosa. Digo isso devido ao forte refrão de que “a universidade é uma fogueira de egos”, frase comum de se ouvir e sentir nos corredores acadêmicos. Ou seja, é fácil de ensinar pela letra e pela aparência, mas é difícil de praticar no dia-a-dia a postura de humildade, empatia e cordialidade entre os reles mortais, principalmente com aqueles que não possuem título universitário e/ou aqueles que apresentam opiniões diferentes. A ciência assim, principalmente nas ciências sociais, acaba se tornando um “petit committee” entre amigos, cujos interesses pela verdade acabam se enublando por uma questão de quer apenas ver aquilo que se quer acreditar. Desta forma, questões como reencarnação e imortalidade do espírito não ocupam lugar de destaque (ou lugar algum?!), mesmo que grandes pensadores como Sócrates, Platão, Bacon, Descartes, Pascal, entre outros tenham adotado esta postura. Desta forma, parece que as correntes que prendem o titã Prometeu tem um uma razão de ser: fazer com que o mundo ganhe tempo para que os cientistas consigam refinar o seu aperfeiçoamento moral e a educação de suas paixões. Ou seja, um mundo melhor não apenas baseado na sabedoria, mas nas virtudes internas do altruísmo e do combate ao ego.

Assim, enquanto o mundo deposita esperanças nos cientistas enquanto cidadãos exemplares, por dentro da academia um verdadeiro campo de batalha de vaidades, ciúmes, disputa por poderes, orgulho. Nada mais humano, nada mais lógico.

Mas não seria responsabilidade dos cientistas de auxiliar e fazer parte na construção de um mundo melhor? Pode se construir um mundo melhor apenas com o conhecimento técnico sem as luzes do amor e do altruísmo? Não caberia aos cientistas e professores papel fundamental na exemplificação prática e na liderança das virtudes do amor e do desapego ao ego?

Não sejamos parte da decadência de Prometeu, mas de sua libertação conscienciosa portando não apenas as luzes do conhecimento, mas o fogo sagrado do amor. Tenhamos consciência que a nossa responsabilidade aumenta conforme os nossos conhecimentos e de que sem o amor, as luzes da sabedoria são estéreis para realizar a germinação do bem estar e do bem querer entre os Homens. Não é pela disputa árida de poder que se muda à sociedade, mas pelo exemplo e prática de amor ao próximo. O amor é o poder que muda as pessoas para melhor. Vários tiranos passaram pelo mundo e não são nem lembrados. Apenas o pobre marceneiro que veio com a sua lição de amor e humildade resiste e amadurece seus frutos com o tempo. Portanto, não sejamos cientistas que educam apenas o lado da razão, mas que melhora também os sentimentos, preocupando-se com o bem estar do próximo e principalmente, com o crescimento interno de suas virtudes. Assim estaríamos seguindo a grande lição de um dos maiores filósofos de todos os tempos. Aquele que exemplificou: “Conhece-te a ti mesmo e ganharás os Reinos dos Céus”.

O autor, Paulo Hayashi Jr., é doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

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