Trípoli - O único sobrevivente do desastre aéreo que deixou 103 mortos anteontem na Líbia encontrou um tio e uma tia ontem no hospital de Trípoli, capital do país, onde está internado. O garoto holandês Ruben van Assouw teve ferimentos graves nas pernas, mas sua condição é estável. Ele tem nove anos de idade, e não oito ou dez, como chegou a ser informado.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Holanda, Ruben ainda não sabe que seus pais e um irmão de 11 anos morreram no acidente com o Airbus A-330 da companhia líbia Afriqiyah, que ia de Johannesburgo (África do Sul) a Trípoli.
“Ele (Ruben) está acordado, conversando e escutando. Dorme bastante em razão da anestesia que tomou, e sente-se um pouco tonto”, afirmou Ed Kronenburg, representante do governo da Holanda.O menino foi operado durante mais de quatro horas. Segundo os médicos, os órgãos vitais estão intactos, e Ruben deve ser transferido para a Holanda nos próximos dias.
Equipes de resgate encontraram o garoto ainda com o cinto amarrado a seu assento. Ele estava em estado de choque e sangrava pelas pernas ao ser retirado rumo ao hospital. No momento da queda, o avião preparava-se para pousar, mas tocou o chão antes do início da pista. O impacto deixou um rastro de destroços de 150 metros.
Mas, como não houve explosão ou fogo, especialistas a especularam que o tanque de combustível estaria praticamente seco. As investigações deverão envolver especialistas de EUA, França, África do Sul, Holanda e Líbia. As duas caixas pretas foram localizadas. O governo líbio descartou a hipótese de ataque terrorista. Especialistas ouvidos pela Associated Press afirmaram que é possível que o piloto tenha tentado virar o avião na última hora em razão de baixa visibilidade causada pela posição do Sol. Normalmente, aviões pousam em Trípoli vindos do leste, mas o voo acidentado aproximou-se pelo oeste.
As condições do aeroporto da capital Líbia são consideradas “básicas’’ por especialistas, mas suficientes para uma condição de segurança satisfatória. A companhia aérea, pertencente ao governo local, voa com uma frota de Airbus novos e não tivera acidentes antes.
A maioria dos mortos era de holandeses que retornavam para seu país após passar férias na África do Sul. A família do garoto sobrevivente comemorava o aniversário de 12 anos e meio de casamento, tradição no país. Pelo menos 70 das vítimas eram holandeses. Também havia a bordo pessoas de África do Sul, Zimbábue, Reino Unido, Áustria, Alemanha, Líbia e França. A escritora sul-africana Bree O’Mara, que ia para Londres, está entre os mortos.