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Procuradora dorme em cela especial; famílias tentam adotar menina agredida

Folhapress
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Rio de Janeiro - A procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, 66 anos, passou a noite em uma cela individual especial para quem tem nível superior no presídio Nelson Hungria, no conjunto penitenciário de Bangu, zona oeste do Rio.

Foragida havia oito dias, ela se apresentou anteontem à Justiça do Rio e chorou ao ouvir o juiz Guilherme Duarte, da 32ª Vara Criminal, ler os autos do processo em que é acusada de torturar uma menina de dois anos que estava sob sua guarda para adoção.

Quando deixou o fórum na tarde de anteontem, já presa, para ser encaminhada à Polinter (Polícia Interestadual), no Andaraí (zona norte), a procuradora foi hostilizada por pessoas do lado de fora. Acompanhada de policiais e dois advogados, ela foi levada para a Polinter e, em seguida, encaminhada para o complexo penitenciário de Bangu.

Ainda na tarde de anteontem, a defesa pediu a revogação da detenção, mas o juiz negou. Para ele, a soltura pode prejudicar a colheita de provas. Jair Leite Pereira, advogado da acusada, disse que espera obter “pelo menos” a prisão domiciliar e nesta sexta já faz novo requerimento à Justiça.

Garota

O abrigo na zona sul do Rio onde está a menina T., que teria sido torturada pela procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, vem sendo procurado por famílias que demonstram interesse em adotar a criança.

T., no entanto, continua muito abalada. Ela estava sob a guarda de Gomes, que pretendia adotá-la. Ainda em tratamento psicológico e sob cuidados médicos, a menina não pode receber visitas.

“Temos que fazer tudo com muita paciência, no tempo da menina. O que ela precisa agora é de carinho. Vamos aguardar até que ela demonstre que está bem’’, disse à reportagem a juíza Katerine Jatahy Kitsos, da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso.

Kitsos afirmou que o caso de T. é considerado o mais grave que o Juizado da Infância já registrou na cidade. “Essa situação é absolutamente isolada, totalmente fora da regra. Nós acompanhamos todas as adoções e nunca houve nada parecido’’, disse.

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