Política

Sindicato acusa sucateamento do DAE

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) convocou a imprensa, ontem, para denunciar sucateamento, dilapidação de estrutura e falta de estoque para a prestação de serviços pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). Com uma lista de maquinários, itens de estoque e produtos de uso permanente em mãos, a direção da entidade acusou o comando do DAE, a cargo do advogado de Rafael Ribeiro (PR), de preparar a terceirização de serviços estratégicos.

Conforme o advogado da entidade, Sandro Luiz Fernandes, o levantamento preliminar foi suficiente para confirmar a falta manutenção da frota tanto de deslocamento administrativo quanto do maquinário mais pesado, operacional, negligência com recuperação e reparos e descumprimento de normas de segurança, colocando em risco os servidores. “Nós repudiamos a intenção demonstrada no levantamento da autarquia estar sendo preparada para a terceirização. O sucateamento também vêm no mesmo instante em que o JC, através de matéria com o próprio presidente do DAE, no mês passado, aponta a terceirização de serviços estratégicos”, observa.

Segundo o Sinserm, há uma série de irregularidades em curso. “Temos retroescavadeira sem embuchamento, sendo que em um maquinário o retro caiu e já até processo administrativo para apurar a ocorrência. Ao invés de trocar o dispositivo, o DAE faz sobrevida com solda do sistema. Temos fotos mostrando isso. Tem outra retroescavadeira que está há dois meses sem direção e quem reclamou foi transferido, tem pá carregadeira com problema de freio e uma outra retro que ficou quatro anos sem a troca de óleo, fundindo o motor”, lista o Sinserm.

Outra máquina mais nova, da marca New Holand, estaria sendo funcionando com filtro de óleo deteriorado, gerando prejuízos ao motor. “Nas caminhonetes levantamos que apenas completam o óleo, vários veículos rodam com pneus carecas e bancos rasgados e o sucateamento gera até atrito entre motoristas e mecânicos, com pressão de uns para soltar as máquinas e resistência de outros em usar o que não está com manutenção devida”, acusa Fernandes.

Conforme o levantamento, motos também contam com problemas em freios, suspensão, escapamento e pneus e algumas viaturas estão com dispositivos podres, impondo riscos ao servidor e ao público na rua. “Tem um caminhão com sistema de aquecimento de betume, com tambor aquecido instalado em cima do tanque de combustível, caminhões sem extintores e transporte de produto químico em caminhão com partes podres”, acrescenta.

Outros dados

A assessoria de imprensa do DAE rejeita o processo de sucateamento interno. A direção da autarquia argumenta que, em levantamento completo da frota e dos maquinários, realizado em janeiro de 2009, no início da atual gestão, foram identificados problemas em várias frentes, mas que a presidência determinou, desde então, a realização de plano de recuperação e investimentos.

“Além dos veículos que estão sendo comprados, como os entregues ainda nesta semana, o investimento em equipamentos supera a R$ 500 mil no período. Há maquinário muito ruim, que veio das gestões passadas, mas que também integram o plano de ação do DAE, de acordo com a disponibilidade financeira interna”, responde a assessoria.

A autarquia também rebate que os problemas estejam ligados a uma orientação de preparar a privatização do DAE. “Nós temos medidas anunciadas pela presidência, como a regularização de contratação de vigiais e a contratação pontual de serviço de detecção de vazamentos invisíveis e de liberação de quadras da rede para dar fôlego ao plano de pavimentação municipal que foram definidos para resolver demandas nesta fase. O DAE vai continuar sendo público e a prestar bons serviços à população com seus funcionários, sobretudo nas atividades fim”, reforça.

O Sinserm também critica a falta de produtos básicos em estoque, como uma espécie de condutor (PAD) que liga a rede ao cavalete, nas residências. “Somente agora estão abrindo licitação para comprar o produto, que é permanente e não poderia nunca faltar. Estão fazendo reparos provisórios e serviços que precisam ser refeitos, gerando prejuízos à população nas ruas. Temos servidores sendo transportados em caminhões, na carroceria, o que é ilegal, e veículos rodando com pneus lisos. O DAE é de natureza pública e os serviços devem permanecer públicos, com plano de gestão e manutenção permanentes, como prometeu o prefeito Rodrigo Agostinho na campanha eleitoral”, finaliza a direção colegiada do sindicato.

Sobre a contratação de empresa terceirizada para verificar vazamentos invisíveis, no subsolo, a entidade aponta que o aparelho novo (geofone) custaria em torno de R$ 6,5 mil. “Tem de comprar o aparelho e destacar equipe para atuar a noite neste serviço. Vai contratar terceirizado e ai vai ter de mandar servidor do DAE fiscalizar, gerando despesa do mesmo jeito. Porque senão, como vai ver o que foi feito, se o vazamento foi detectado ou não, com serviço de madrugada feito por empresa privada? Estão privatizando serviços, como fez com leitura, agora com detecção de vazamento, depois os vigiais e liberação de rede. Estão fatiando o DAE rumo à privatização”, questiona.

A assessoria de imprensa do DAE acrescentou que terá de levantar rtodos os pontos da denúncia feita pelo Sinserm para resposta completa sobre estoques, produtos, plano de manutenção e situação da frota. A denúncia do sindicato foi realizada no início da noite de ontem, em entrevista coletiva.

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