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Entrevista da Semana: Jefferson Martins (Ralado)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

‘O humor é minha grande paixão’

“Você está falando sério ou está de brincadeira?” Essa frase foi usada durante quase toda a entrevista feita com Jefferson Martins, o irreverente Ralado do programa Oradulanche, da rádio 96 FM. Com um bom humor para lá de presente, ele fez desta Entrevista da Semana um momento de descontração e risos, assim como costuma fazer com todos ao seu redor. Difícil mesmo foi conseguir conversar sério com ele. “O humor é minha paixão e fazer rir proporciona uma sensação indescritível”, afirma.

Menino peralta, Ralado diz ter sido a ovelha negra da família por não estar muito próximo dela quando adolescente, fato que garante ter mudado após a perda da mãe. E foi na infância, ouvindo um programa de rádio chamado “Manhã Colorida”, que a paixão pela comunicação humorística surgiu.

Professor de literatura por quatro anos, o locutor e produtor da 96 FM misturava ensino com humor. E foi a irreverência de um professor de cursinho que o levou até as salas de aula da faculdade de letras. “Mas optei pelo trabalho como humorista em rádios e meu sonho é chegar até humorísticos da TV”, projeta.

Viagens, amizades, sonhos e planos também fazem parte da entrevista que o dono das vozes de personagens como Samanta Sangue, Cidão, Frango Neto e Paulão Gengiva concedeu ao Jornal da Cidade. Leia os principais trechos.

Jornal da Cidade - Qual é a proposta do programa “Oradulanche”?

Jefferson Martins (Ralado) - Estou com o programa na 96 FM desde setembro de 2009. Sou o responsável pela produção e o Márcio Augusto pela plástica, ou seja, vinhetas e sonorização. Faço os personagens como Samanta Sangue, Cidão, Frango Neto, Paulão Gengiva e Clóvis Ozebre. A proposta do programa é fazer humor do Interior, o que é bastante difícil, porque nem sempre podemos usar a linguagem das Capitais.

JC - Já tiveram problemas com o uso da linguagem?

Ralado - Problemas, não. Mas um dia brincamos chamando uma ouvinte de burra porque ela errou uma pergunta. Recebemos e-mails e críticas por isso, coisa que não acontece em Capitais.

JC - Como você sente a resposta do público?

Ralado - A resposta é bastante carinhosa. As pessoas ligam para elogiar, para falar da família, contar problemas. Tem um caso que me marcou bastante. Talvez a pessoa leia esta entrevista e se lembre. Ela falou que a mãe estava doente, com câncer, e que a única coisa que a fazia sorrir era ouvir o programa. A melhor resposta para a gente que trabalha com entretenimento é ouvir um elogio pelo que fazemos. As pessoas podem te dar o mundo e você não ter uma resposta agradável sobre o que faz.

JC - Como você classifica o humor do “Oradulanche”?

Ralado - Então, eu classifico o nosso humor como aquele da sala de aula, onde a professora fica brava e te leva para a diretoria. O humor moleque. Não fazemos o chamado humor negro e pesado, não é nosso estilo.

JC - Você começou com o rádio quando?

Ralado - Comei em 1999, na 94 FM, atendendo telefones. Por amar tanto a profissão e querer estar nesse meio, pedi para acompanhar as “blitze” e entrava ao vivo imitando artistas e fazendo humor. Passado um tempo e de tanto insistir, fui promoter da rádio e três anos depois, dei vida à Samanta e ao Cidão, que foi inspirado em um problema particular.

JC - Qual é a história do Cidão?

Ralado - Minha mãe bebia muito. Sempre que a encontrava, sábados e domingos, ela estava com aquela voz do Cidão. Peguei um problema (pois acho que ninguém gosta de ver os pais bebendo) e transformei em coisas boas. Tive a honra dela acompanhar meu trabalho até falecer, em maio de 2009. Ela morreu uma semana antes do Dias das Mães. Isso mudou minha vida.

JC - Mudou sua vida em que sentido?

Ralado - Tornei-me uma pessoa mais apegada à família, coisa que não era muito por morar sozinho e ter uma vida corrida com o trabalho e faculdade. Perder mãe e pai é muito duro. Só quando você perde é que sabe. Gostaria de voltar no tempo para dizer “eu te amo” para minha mãe, frase que não disse após adulto. Mas acredito que ela está feliz por me ver lutar. Fiquei seis meses desempregado antes de entrar na 96 FM e quase desisti do rádio e TV, que são as áreas que realmente gosto.

JC - Sempre gostou de comunicação?

Ralado - Sim. Minha primeira lembrança do rádio vem da infância. Minha mãe ouvia um programa da AM chamado “Manhã Colorida”. De tanto ela ouvir, aquilo ficou na minha cabeça e foi aí que peguei minha primeira carona nessa magia que é o rádio.

JC - Você é professor de letras?

Ralado - Sou formado em letras e dei aulas durante quatro anos. Precisei optar pela profissão de professor ou pela paixão do humor. Decidi ficar no rádio e me especializar. Na verdade, eu queria prestar medicina, mas sempre fui o bagunceiro do colégio e não estudava o suficiente. Prestei vestibular para psicologia, mas vi que não me identificava com a profissão. Foi quanto tive aulas no cursinho com um professor chamado Giba e decidi dar aulas de literatura como ele.

JC - Usava o humor nas aulas?

Ralado - Muito. Os alunos se divertiam muito enquanto aprendiam.

JC - Disse que foi um menino muito levado.

Ralado - (Risos) Sempre fui. Vivia na diretoria das escolas pelas bagunças que fazia. Tem uma história que ficou na memória. Eu devia ter uns 9 anos de idade quando apostei corrida de bicicleta com um ônibus circular na avenida Pedro de Toledo. Naquele dia, eu faltei do colégio e fui ver meus amigos na saída. Meus amigos disseram que duvidavam e eu apostei a corrida com o coletivo. Caí de boca no chão e usei aparelho por seis anos para corrigir os dentes.

JC - As pessoas te levam a sério? Você está sempre falando com tom de humor (risos)...

Ralado - Ah, muitas não levam, não. Quando estou na balada e vou paquerar as meninas, a reposta é sempre a mesma: “Você está zoando” ou “Para de tirar uma com a minha cara”.

JC - Você é romântico?

Ralado - Sou, mas não tenho boas recordações da minha vida amorosa. Sou como qualquer pessoa: gosto de carinho e de me sentir especial para a pessoa especial.

JC - Você disse que seu hobby é viajar.

Ralado - Gosto muito de viajar. Para você ter ideia, fui com uns amigos para a Argentina no final de semana das mães para fugir da tristeza. Foi a primeira vez que estive lá e não gostei muito da recepção dos argentinos, embora tenha gostado da cultura e dos lugares que conheci. Agora, o lugar mais bonito em que já estive é o Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro.

JC - O que a família significa para você?

Ralado - É a base de tudo. O ser humano que tem família pode ter problemas, mas tem a solução para eles. O cara que é sozinho ou que tem família desmotivada e desunida, cresce do mesmo jeito.

JC - Você disse que está mais próximo da família. Já foi a ovelha negra?

Ralado - Fui. Muitas vezes a família se reunia em almoços e jantares e eu me excluía. Porém, nunca fui de beber, fumar ou aprontar grandes coisas. Acho que pelo fato de sempre estar envolvido em grupos de jovens, não aprontava na noite.

JC - Você ainda é religioso?

Ralado - Muito. Minha base é a minha religião. Todo domingo vou à missa, não importa minha situação. Acho que a fé precisa ser renovada diariamente. O ser humano pede muito. Depois que perdi minha mãe, passei por uma renovação e aprendi a agradecer mais.

JC - O bom humor atrai pessoas. Você tem muitos amigos?

Ralado - Antes de passar pela turbulência de perder emprego, namorada e mãe, eu acreditava ter muitos amigos. Mas percebi que não é bem assim e que os poucos que sobraram são meus braços, pernas... tudo! São mais que amigos, são família.

JC - O humor está sempre presente?

Ralado - Fico sério durante a noite quando paro para pensar sobre tudo o que fiz, falei e o que não devia ter feito ou falado. Onde moro, tenho uma visão linda da paisagem e passo boa parte do meu tempo olhando para o céu e refletindo. Mas uso o humor basicamente em tudo, sim.

JC - Qual é a sensação de fazer alguém rir?

Ralado - Algo indescritível. A coisa mais difícil hoje é fazer alguém rir. Fazer humor quando não se está bem também é difícil. Sabe aquela história de que o palhaço é sempre triste? Mas sou feliz.

JC - O que faz quando não está no ar?

Ralado - Gosto de viajar. Quando não estou na estrada, costumo sair com os amigos para bares e baladas. O bom mesmo é estar cercado por pessoas que te fazem bem.

JC - Por que o apelido?

Ralado - O apelido de “Ralado” surgiu na época de uma novela da Rede Globo. Nessa novela havia um personagem muito bacana com esse apelido e o meu, na época, era Jelouco, então, dei-me esse apelido. As pessoas chegavam me chamando pelo nome eu dizia que era o Ralado. Acabou pegando.

JC - Como você se define?

Ralado - Como um caipira do Interior. Uma pessoa simples que busca o melhor para si e para as pessoas ao redor.

JC - Tem projetos novos?

Ralado - Para a rádio o projeto é um personagem que entrará no ar até agosto. Para a vida pessoal é continuar fazendo testes no eixo São Paulo e Rio de Janeiro.

JC - Um sonho.

Ralado - Trabalhar no programa “Pânico na TV”.

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Perfil

Nome: Jefferson Martins (Ralado)

Idade: 29 anos

Local de Nascimento: Jundiaí/SP

Signo: Leão

Hobby: Viajar

Livro de cabeceira: “O Livro de uma Sogra” - Aluísio Azevedo

Filme preferido: Um Lugar Chamado Notting Hill

Estilo musical predileto: De tudo um pouco

Time: Palmeiras

Para quem dá nota 10: Ao humorista Tom Cavalcante

Para quem dá nota 0: À política brasileira

E-mail: raladosacola@hotmail.com

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