Geral

Evolução da cidade revela dramas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O município é um organismo vivo. Nasce pequeno, vai crescendo com o passar dos anos e se desenvolve na razão direta dos interesses e necessidades que nele são projetados. No percurso até a vida adulta, vai se despindo do velho e se revestindo do novo. Muda a aparência para atender aos usos e costumes de uma época.

O Centro de Bauru, que já foi densamente ocupado por residências, transformou-se numa área predominantemente comercial e de serviços. E mesmo após essa mudança de perfil, várias são as mudanças que ocorrem de tempos em tempos. Prédios antigos são demolidos para a construção de novos.

Assim como os moradores do Centro tiveram de procurar moradia nas regiões periféricas desse organismo vivo chamado cidade, muitos comerciantes também vivem o drama de terem de desocupar prédios velhos para dar lugar a alguma grande e moderna construção.

Essa é a realidade, dura realidade, diga-se, que está vivendo a família Tokumitsu, por exemplo. Quem passa pela esquina da rua Rio Branco com Ezequiel Ramos vê de perto esse drama. A pastelaria, denominada Kadoya, que iniciaram há cerca de seis anos, está solitária no cantinho da esquina. Ao redor, uma imensidão vazia e alguns homens trabalhando na demolição do pouco que ainda resta de tijolo ainda intacto.

Tudo em volta foi ao chão, só restou a pastelaria, como se fosse a última fortaleza, o último obstáculo a ser vencido em nome do “progresso”. A imobiliária responsável pela área informou à reportagem que o local será preparado para receber uma agência bancária ou, numa segunda hipótese, um conjunto de seis lojas novas e modernas.

Enquanto as marretas aguardam ansiosamente o sinal verde para entrar em operação, a família que tem na pastelaria sua única fonte de renda se desespera para encontrar um outro ponto onde possa continuar saciando a fome e a sede de sua clientela.

Achar outro lugar em uma esquina movimentada como a da Rio Branco com a Ezequiel Ramos está quase impossível. Quando encontra, o valor do aluguel pedido pelos proprietários é considerado muito alto pelos comerciantes. “Eu sei que vamos ter de desocupar o prédio, mas está difícil achar outro com preço razoável aqui no Centro”, lamenta Márcio Tokumitsu, filho mais novo da família.

Ele e o irmão mais velho, Maicoll, têm percorrido o Centro da cidade em busca de um novo endereço para a pastelaria. Eles não querem fugir muito do local onde estão hoje para não perder a clientela conquistada nesses seis anos de trabalho. “Se nós formos para um ponto distante, vamos ter de começar tudo do zero”, analisa.

A exemplo da família Tokumitsu, quando Dirce Rodrigues teve de deixar seu ponto ao lado da Câmara Municipal, onde vendia pão de queijo, entre outros alimentos, viveu o mesmo drama. Além dela, outros 33 inquilinos tiveram de desocupar a área para dar lugar a um grande templo religioso.

Foram momentos de grande apreensão. Afinal, são vários os casos de estabelecimentos que mudam de endereço e não conseguem a mesma (em quantidade) clientela de antes. Dirce foi vender pão de queijo três quadras de distância do local onde estava acostumada.

Não demorou muito, a apreensão deu lugar à empolgação. Embora tenha perdido em definitivo alguns clientes, ganhou outros. Hoje, Dirce considera o ponto onde está melhor do que o anterior. “Graças a Deus que deu certo, mas poderia não ter dado”, diz, aliviada.

____________________

Supervisão responsável

Para realizar uma demolição, o primeiro passo é procurar um arquiteto ou engenheiro civil. Eles serão os responsáveis pelo processo de desmonte do imóvel, em especial no que se refere à segurança dos trabalhadores, dos vizinhos e dos pedestres.

É preciso cuidado no momento de derrubar uma parede, uma laje, para não afetar os imóveis próximos. Além disso, é preciso estar atento ao corte de energia e fazer o recolhimento das taxas na prefeitura.

As orientações são do arquiteto Emerson Crivelli, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag). Segundo ele, dependendo das condições do imóvel, é possível aproveitar telhas, tijolos e janelas. Por isso, é importante critério na maneira como se faz a demolição.

Comentários

Comentários