Política

Aloysio é favorável ao Ficha Limpa

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 7 min

Pré-candidato ao Senado pelo PSDB, o ex-secretário da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira visitou ontem a região, onde participou de encontros políticos em Avaí e Pirajuí, com prefeitos e vereadores. Considerado o braço direito do ex-governador José Serra, o tucano avaliou o momento eleitoral brasileiro, diz apoiar o projeto Ficha Limpa, que impede a candidatura de quem tem pendência judicial, e acusou o PT de desrespeitar a legislação eleitoral.

Aloysio chegou a ser o preferido de Serra para concorrer à sua sucessão, mas essa tarefa acabou delegada a Geraldo Alckmin. No páreo eleitoral, vê uma disputa acirrada às duas vagas de senador em São Paulo e crê que esteja preparado para ficar com uma delas. Leia os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - O ex-governador José Serra manifestou interesse em que o senhor fosse candidato ao governo. Por que essa candidatura não foi adiante?

Aloysio Nunes Ferreira - Eu acho que o governador Geraldo Alckmin, isso depois de eu analisar pesquisas que tive acesso, era aquele que mais tinha condições de nos produzir nesta eleição, em São Paulo, nos dando uma ampla vitória ao governador José Serra para a Presidência, começando por uma base segura para a campanha. Isso porque não apenas as intenções de voto era exuberantes para governador, com também avaliação, a retrospectiva que o eleitorado, segundo as mesmas pesquisas, faziam do governo dele, eram também muito positivas. Diante disso eu achei que não era correto, politicamente, manter uma postulação até a convenção, porque isso atrasaria a nossa campanha e iria criar sequelas para o partido. Então, resolvi ocupar essa candidatura ao Senado confiante que o Estado de São Paulo estará em boas mãos com a volta de Geraldo Alckmin para o Palácio dos Bandeirantes.

JC - A outra vaga, pela coligação, ficou com Orestes Quércia. E o senador Romeu Tuma?

Aloysio - O PTB está analisando o que fazer nestas eleições, especialmente em face da recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que não admite candidatura avulsa ao Senado. A nossa aliança com o PMDB e com o DEM é estratégica, que tem o reflexo nacional importante a favor da candidatura de José Serra e fornece uma base muito sólida para a nossa campanha.

JC - E como ficaram as alianças como o PP de Paulo Maluf e o PPS de Roberto Freire?

Aloysio - Com o PP ainda não fechamos, estamos em entendimentos. Com o PPS a aliança já está confirmada, inclusive ontem houve um encontro estadual do PPS que confirmou a coligação conosco.

JC - O senhor falou de Orestes Quércia. Ficou alguma rusga do passado?

Aloysio - Nós tivemos nossas diferenças no passado, mas hoje nós estamos unidos em função de um bem maior, que é eleger Serra presidente da República, dar um novo rumo ao governo do País, e manter São Paulo em boas mãos.

JC - Serão eleitos dois candidatos ao Senado. E como o senhor avalia a candidatura dos outros nomes ao Senado?

Aloysio - Eu avalio a mim mesmo, os outros eu não sei. São nomes que têm prestígio, são respeitáveis. As pesquisas de intenção de votos agora não dão indicações minimamente confiáveis, porque o eleitorado não está conectado ao tema Senado. É uma ideia muito longinqua da preocupação dos eleitores. Mas são todos eles candidatos, cada um com suas características, respeitáveis, e com potencial para ganhar.

JC - Marta Suplicy (PT) aparece em primeiro lugar nas pesquisas. Ela seria sua principal adversária?

Aloysio - Não sei. Vai depender muito do desenrolar da campanha. São nomes que eu respeito, todos têm potencial para ganhar, o eleitor terá de escolher dois senadores. Haverá muitos votos cruzados, de uma chapa para a outra, e tudo vai depender da dinâmica da campanha. Agora a minha candidatura e a do governador Quércia estão inseridas num movimento bem forte, num movimento que têm como autores principais José Serra e Geraldo Alckmin.

JC - Como fazer para retomar essa vaga para o partido?

Aloysio - Tenho um profundo conhecimento da vida pública de São Paulo, dos municípios deste Estado, e das regiões, por ter durante os últimos anos trabalhado ao lado do governador José Serra, na Casa Civil, tenho também uma militância anterior de muitas décadas, conheço muito bem a máquina administrativa federal, tem uma boa experiência legislativa, cinco mandatos legislativos. Então tenho que representar bem meu Estado. Não apenas o Estado, mas também os municípios. Acho que os interesses do Estado de São Paulo precisa ser melhor defendido, tenho a convicção de que a legislação sobre temas que dizem respeito à vida cotidiana do cidadão precisa ser mudada, como a legislação tributária, relativa à segurança pública, e penso também que os serviços públicos federais que são prestados pelo governo federal poderia melhorar muito, além, como projeto, o serviço prestado pelas ferrovias. Além do que nosso Estado contribui com 50% da arrecadação dos tributos federais deveria ter um retorno muito maior do que tem e a função do senador é brigar por isso.

JC - Nesta semana foi para o Senado o projeto de lei conhecido por Ficha Limpa - que torna inelegíveis os candidatos a cargos públicos que tiverem sido condenados por determinados crimes em decisão colegiada (por um grupo de juízes). O senhor é contra ou a favor?

Aloysio - Sou a favor do projeto Ficha Limpa, acho que é um filtro mais rigoroso que a legislação estabelece como condição. Espero que o Senado aprove sem mais delongas, e que juristas deixem um pouco suas agruras de lado para que ele possa ser aplicado ainda este ano. De qualquer forma, se por alguma razão ele não puder ser aplicado, o movimento do qual ele surgiu, a iniciativa popular, mostra que o eleitor, nesta eleição, será muito mais exigente ao examinar o passado do candidato, aquilo que ele fez de mal ou ruim.

JC - Como o senhor analisa o começo das campanhas eleitorais?

Aloysio - Acho que o panorama eleitoral está mais nítido, mais definido, mais polarizado que no início da redemocratização. Na eleição de 1989 nós tínhamos candidatos como Quércia, Maluf, Covas, Ulysses Guimarães, Brisola, Lula, havia uma pletórica de candidatos, porque o quadro político não estava ainda formado com a precisão de hoje. Atualmente nós temos realmente uma eleição polarizada, embora eu considere que a senadora Marina Silva (PV) tenha uma mensagem nova, tema importante, a defender na sua candidatura. Considero que a campanha me leva a alguma preocupação que é o fato do desrespeito às determinações da Justiça Eleitoral por parte do PT e de sua candidata. A propaganda eleitoral que foi veiculada pelo PT anteontem é um desrespeito flagrante à lei eleitoral. Coisa que o presidente da República jamais poderia pactuar, muito menos participar. Por outro lado, temo fábricas de dossiês. Acho que nosso adversário não deverá se agarrar ao poder como a ostra se agarra ao casco do navio. Mas eu tenho muita confiança na capacidade de mobilização do governador José Serra e na coligação que se formou e sobretudo confiança que na comparação de biografias e propostas, o ex-governador José Serra será eleito presidente da República.

JC - Dilma foi comparada a Nélson Mandela...

Aloysio - Convenhamos que há um certo exagero. Tenho muito respeito por ela, mas quando os elogios são demais, eles acabam por desmerecer a pessoa.

JC - O Estado de São Paulo será decisivo para a campanha presidencial?

Aloysio - É o maior colégio eleitoral do País. Já com Geraldo Alckmin, sendo Lula candidato, nós tivemos uma vantagem de quatro milhões de votos, eu penso que este ano nossa vantagem poderá ser maior, pela força da nossa candidatura e pelo potencial da campanha. Além do mais a situação eleitoral para o PSDB melhorou muito em relação ao que foi em 2002 e 2006 em muitos Estados importantes. Eu cito Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná. Estados do Nordeste, como Rio Grande do Norte, Piauí, onde o palanque pró-Serra é muito forte, muito mais que foi o palanque do PSDB nas eleições nas eleições anteriores.

JC - A oposição vai promover o Serra na televisão, como será isso?

Aloysio - Como nós fizemos nos outros programas, respeitando a lei eleitoral, diferentemente do programa do PT que foi multado pela Justiça eleitoral.

JC - PT não está respeitando a lei?

Aloysio - Isso é evidente. Já houve uma decisão unânime eleitoral que multou o partido e a própria candidata num programa muito mais suave, vamos dizer assim, do que esse que foi ao ar, o do Mandela.

JC - Qual a chance de Serra ganhando e o senhor ganhando, deixar o Senado para trabalhar na Presidência?

Aloysio - Não sei. Sou candidato ao Senado e quero ser senador. Eu posso colaborar do senado. Posso dar apoio parlamentar ao governo.

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