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Simpósio debate a qualidade de gramados e sua preparação para a Copa do Mundo 2014

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O Simpósio sobre Gramados (Sigra) realizado pela Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, câmpus de Botucatu, foi uma preparação para os profissionais que desenvolvem gramados para campo de futebol, golfe ou até mesmo residenciais. Nomes como de Adriaan Stephanus Schoeman pesquisador do Departamento de Zoologia e Entomologia da Universidade de Pretoria (África do Sul), que preparou os 10 campos que vão ser usados na Copa 2010, e de Daniel Taipa, consultor de centros de jogos e treinamentos como os do Morumbi, Mineirão e Granja Comary dentre outros, fizeram parte da lista de palestrantes.

O evento técnico-científico focado na formação de profissionais da grama, em sua 5a edição, teve objetivo especial a Copa do Mundo de 2014 que será no Brasil. O coordenador do Sigra, professor Roberto Lyra Villas Boas, enfatiza que o evento trouxe orientação para que os profissionais brasileiros possam desenvolver um bom trabalho nos gramados que deverão abrigar os jogos daqui a quatro anos. “As normas exigidas pela Fifa e até métodos usados para resolver problemas que surgem na implantação do gramado dos campos.”

As pesquisas com gramados tiveram início em 2000 pela FCA. “A partir de 2003, a FAC/Unesp e a Agrapar criaram o Sigra para divulgar as pesquisas. O gramado esportivo é um dos itens estudado. Há ainda os gramados domésticos que são diferentes. O esportivo exige crescimento rápido da planta porque sofre o atrito da chuteira e precisa de renovação rápida. Para isso é necessário grama específica e manejo intenso. Já a doméstica, o trato é mais ameno.”

Para Lyra, a grama Bermudas é uma espécie muito utilizada em campos de golfe e futebol. Requer corte constante, porque cresce diariamente. “No campo de golfe, o operador de máquinas corta um milímetro e meio por dia com maquinário específico. Essa máquina funciona como uma tesoura para não deixar rebarbas e não permitir doenças. Existe um mundo totalmente distinto dentro dessa área de campo de golfe e futebol para gramado.”

A mesma espécie de grama não é indicada para áreas domésticas, uma vez que exigiria cuidados constantes. “Para áreas doméstica a grama mais indicada é a Esmeralda, a mais usada no Brasil. O prazo para a poda é maior, uma vez ao mês, ou pouco menos.”

Outras pesquisas desenvolvidas pela faculdade, segundo o professor, estudam as espécies, ou seja, aquela que se desenvolve melhor no sol ou na sombra. “A luz solar é amiga do gramado. A grama Esmeralda não se desenvolve bem em lugares sombreados, mas há espécie que gosta da sombra. Outro fator que influencia nas grandes áreas gramadas é a água. O gramado consome em média, cinco litros de água por metro quadrado num dia de sol. Ele demanda um volume de água importante, no Estado de São Paulo a média de consumo é esta. A irrigação tem que ser uma coisa constante, os campos de futebol e golfe são irrigados diariamente ou a cada dois dias dependendo da lâmina d’água que eles aplicam.”

Há estudos desenvolvidos para baixar o custo de produção, o uso de adubos alternativos e combate a pragas que afetam a produção de grama, principalmente no campo de golfe. No Brasil há 100 campos de golfe enquanto que na Flórida são três mil.

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