Articulistas

Temos cultura de exportação

Luiz Viola
| Tempo de leitura: 2 min

Sobre o artigo em epígrafe, assinado pela d. Isolina Bresolin Vianna, na edição de 11 de maio, realmente os países têm sim sua cultura de exportação, porém, não apenas nós, os brasileiros, somos conhecidos pelos podres, como julga a articulista. Além do mais, não se pode comparar couve com beterraba, nem pimentão com hortelã somente porque são produtos cultivados em horta: não se pode comparar uma obra de Camões, escrita há cinco séculos, com um filme nacional atual. Nem literatura inglesa e francesa com nosso histórico de tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Onde fica então Carlos Gomes com seu trabalho baseado em José de Alencar, conhecido na Europa? E Villa Lobos, não era brasileiro? Por acaso Tom Jobim não faz parte de nossa exportação? Em contrapartida, os americanos, de acordo com a articulista, só mostram como são certinhos. De que maneira? Exportando obras como O Exterminador do Futuro, O Predador, Planeta dos Macacos, Blade Runner - O Caçador de Andróides, Volverine – O Caçador de Vampiros, Independence Day, Rambo I, II, III, IV, Tubarão e suas continuações e outras idiotices para demonstrar como eles são bobos e fúteis? É da Europa que vêm, exportados por eles, sentimentos de segregação e supremacia, como o modismo dos skin-heads ou o estranho modo de se vestir dos punks. Não foi o brasileiro quem inventou a moda deplorável de cobrir o corpo com tatuagens indeléveis.

Nossa cultura de exportação é o samba e o frevo, o café e as belas paisagens, a bossa nova e o futebol campeão. E nossas mulheres são tidas como as mais belas. Não podemos deixar de fora Pelé, Airton Senna, Emerson Fittipaldi e Gisele Bündchen. É assim que somos conhecidos no mundo, não através de um filme de gosto duvidoso. Isso não é humildade, é orgulho mesmo.

O autor, Luiz Viola, é pesquisador e defensor de nossa cultura bem brasileira

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