Teerã - Após quase 20 horas de negociação em Teerã, Brasil, Turquia e Irã finalizaram as bases de um acordo para romper o impasse em torno do programa nuclear iraniano.
O acordo deve ser anunciado hoje, quando os chefes de governo dos três países se reunirão na capital iraniana.
A conclusão do acordo foi confirmada pelo chanceler turco, Ahmet Davutoglu. Questionado pela Folha, ele foi categórico. “Temos um acordo.”
O chanceler se referia a uma proposta negociada desde o ano passado pela AIEA para conciliar a preocupação das potências ocidentais acerca do programa nuclear iraniano com o direito, assegurado pela ONU, de o Irã enriquecer urânio para fins pacíficos.
O plano prevê que o Irã envie parte de seu estoque de urânio pouco enriquecido para outro país e receba em troca o combustível enriquecido a até 20%, nível adequado para uso médico mas não para a bomba.
Temendo não receber o urânio de volta, Teerã impôs condições: que a troca fosse simultânea e acontecesse em território iraniano. As potências rejeitaram as exigências e ergueram uma frente diplomática no Conselho de Segurança (CS) para impor uma quarta rodada de sanções da ONU ao Irã.
Brasil e Turquia uniram esforços no CS, onde ocupam vagas rotativas, para ressuscitar o plano da ONU. Segundo Davutoglu, um acordo foi alcançado depois que o Irã aceitou proposta da Turquia para ser depositária do urânio de Teerã.
Não estava claro até o começo da noite se a troca seria simultânea ou não. Questionado sobre o tema, o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, respondeu com humor. “Algo bom está no forno.”
Ceticismo
A promessa de acordo coroa semanas de negociações e um intenso vai e vem de autoridades entre Brasília, Ancara e Teerã. A visita de Lula ao Irã, que retribui viagem do presidente Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil em novembro, era vista com ceticismo pelas potências. Os EUA disseram que se tratava da “última chance” antes de novas sanções.
Anteontem, a Casa Branca confirmou ter recebido informações sobre o acordo, mas um porta-voz disse que seria preciso mais tempo para saber o que exatamente foi oferecido antes de fazer qualquer avaliação. Já o Departamento de Estado afirmou que só falaria sobre o assunto hoje.
Detalhes do acordo serão discutidos em um café da manhã hoje entre Lula, Ahmadinejad e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, que embarcou às pressas para o Irã na noite de ontem depois de ser informado sobre o êxito das conversas.
O bom humor esbanjado na madrugada de ontem pelas autoridades envolvidas no acordo destoou da tensão que dominou o dia.
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Libertação de presente ao Brasil
Teerã - A professsora universitária francesa Clotilde Reiss chegou ontem a Paris, depois de ficar dez meses numa prisão iraniana sob a acusação de espionagem. A libertação foi negociada com a ajuda do Brasil, a quem o presidente da França, Nicolas Sarkozy, agradeceu pela ajuda.
O retorno da professora à França concluiu um período de tensão extra entre Paris e Teerã, desde a prisão de Reiss após as manifestações contra o resultado das eleições iranianas, em junho de 2009.
Sarkozy agradeceu aos presidentes do Brasil, do Senegal e da Síria pelo papel desempenhado nas negociações com o governo iraniano para a libertação. “Clotilde Reiss estava detida injustamente no Irã desde 2009'’, disse o presidente francês em um comunicado.
Segundo o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse ao colega brasileiro que a decisão de libertar Reiss “foi um presente para o Brasil”.
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Acordos comerciais
Teerã - Os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, falaram ontem sobre o interesse de incrementar as relações comerciais entre seus países.
Em coletiva de imprensa conjunta, Ahmadinejad “agradeceu ao presidente brasileiro seu apoio aos direitos da nação iraniana e suas posições para reformar a ordem mundial”, conforme indica o texto publicado no site da presidência iraniana.
Na coletiva, Lula centrou-se no desejo do Brasil em desenvolver suas relações econômicas com o Irã dentro de um reequilíbrio em relação aos países emergentes.
“O Brasil quer se orientar mais na direção dos países emergentes (...) entre os quais o Irã é um dos nossos princiapis sócios”, declarou.