Nesta semana em que se debate o 13 de Maio, é importante fazer algumas reflexões desprovidas de emoção ou hipocrisia. Os últimos dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do IPEA - Índice de Pesquisa Econômica Avançada e mais pesquisas qualitativas e quantitativas do Datafolha demonstraram que os negros e as mulheres, fora as exceções, recebem salários mais baixos em todas as atividades de trabalho.Tais dados materializam a discriminação seguida de preconceito.
Essa realidade por si só seria o suficiente para que esses segmentos fossem mais reinvidicativos e se unissem no sentido de mudar tal situação, no entanto, na prática isso não acontece. Não podemos generalizar, mesmo porque toda generalização é injusta e irracional. Entretanto, é público e notório que negros e mulheres não são unidos no Brasil. A não ser por grupos do movimento negro e do movimento feminino que não possuem alcance no grosso dos seus representados e muito menos mobilização de massa.
No caso das mulheres, não precisamos ir longe. Pesquisas qualitativas que foram estudadas pelo Datafolha, Ibope e o Instituto Sensus estão demonstrando que o menor índice de aprovação e votos das candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva estão justamente nos segmentos das mulheres. Continuando na mesma análise, vê-se que até na Bahia, que é um dos estados com maior densidade populacional da população afro, só há um deputado negro. E no resto do País então a representatividade política dos negros é escassa.
Óras, em nenhum momento estou afirmando que uma mulher é obrigada a votar em outra mulher ou que um negro é obrigado a votar em outro negro. Porém, como está comprovado pelos números, esses dois segmentos da sociedade são discriminados no mercado de trabalho e uma das principais oportunidades de lutar contra essa injustiça é elegerem seus representantes compromissados com as mudanças.
Ao contrário da maioria dos negros e das mulheres, os movimentos dos homossexuais se uniram e hoje estão conseguindo conquistas jamais imaginadas no passado. E a prova dessa união são as marchas gays que no último ano colocou na Avenida Paulista mais de tres milhões de pessoas. Através dessa grande demonstração de força reinvindicativa, hoje casais homossexuais conseguem através da própria justiça adotar filhos e logo serão reconhecidos em casamentos, tal como já ocorre em vários países.
Uma das causas que impede um fortalecimento dos movimentos de mulheres e negros é a sua forte partidarização e consequente ideologização. Ou seja, ao invés de priorizarem as causas dos seus representados, ficam se deigladiando internamente ao discutirem o sexo dos anjos e acreditarem em utopias autoritárias, principalmente de partidos de esquerda, cuja maioria defende regimes que oprimem as próprias mulheres e os próprios negros.
No movimento da diversidade há também correntes políticas, mas no entanto não possuem poder de mando. É por isso que está dando certo e colocando milhares de seguidores nas ruas. Aliás, por que não ocorre a marcha das mulheres contra a discriminação no mercado de trabalho e a marcha dos negros contra o preconceito? A desunião é a resposta. Não estou generalizando, mas enquanto existirem mulheres que não aceitam o sucesso da outra e negros que discriminam a própria raça, os preconceituosos, os discriminadores, os segregracionistas os machistas e os racistas vão continuar a nadar de braçadas.
PS- Prefeito Rodrigo Agostinho, o governante tem que atender todos os setores e regiões da cidade, mas deve priorizar os mais carentes e desassistidos. Fazer ao contrário é a politica do Robin Hood às avessas. E quem te elegeu foi a massa, não foi o recheio.
Pedro Valentim