Trabalhando ontem pela manhã em Bauru dentro de um buraco de cerca de 1,30 metro de profundidade por 1,2 metro de largura, o encanador Nélson Nicoletti, 56 anos, foi surpreendido pelo desmoronamento da terra de uma das paredes da cavidade. Ele ficou soterrado por cerca de dois minutos, longos para ele e para os quatro colegas de trabalho que perceberam o acidente e, rapidamente, com pás manuais, retiraram a terra que cobria o trabalhador.
Antes mesmo da chegada dos bombeiros, consciente, ele já havia sido retirado do buraco com dores nos ombros e pescoço devido à pressão exercida pela terra. O acidente ocorreu numa obra do Departamento de Água e Esgoto (DAE) na quadra 2 da rua Chiyo Otake, na Vila Santista, em Bauru, por volta das 9h45 de ontem.
A sorte de Nicoletti é que ele usava capacete, que evitou que ficasse sem ar para respirar. O equipamento de segurança formou uma espécie de bolsa de ar em torno de seu rosto, informa o DAE através de sua assessoria e confirma o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), que conversou com a vítima e acompanha o caso.
Nicoletti, funcionário do DAE há 18 anos, trabalhava numa obra de extensão de redes de água e esgoto. Apesar de sair do local consciente, foi levado pelo Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro Central (PSC). Nenhuma fratura havia sido constatada, mas ele sentia dores no ombro, membro que precisou ser imobilizado. De acordo com o DAE, o encanador teve alta por volta das 14h e ficará de licença média por sete dias.
“Por um momento ele pensou que não conseguiria sair vivo do buraco”, relata Valdecir Rosa, diretor do Sinserm que conversou com Nicoletti. “Ele me disse que nasceu de novo.”
____________________
Mais segurança
O diretor do Sinserm Valdecir Rosa cobra do DAE mais segurança para seus funcionários. Após um encanador ficar soterrado por dois minutos ontem, a entidade questiona se a escavação do buraco foi feita de forma correta. “Temos a informação de que em buracos de1,30 metro ou mais de profundidade, por segurança, a escavação tem de ser feita na forma de rampa”, afirma.
A assessoria de imprensa do DAE rebate explicando que o procedimento de escavação das paredes de buraco em forma de rampa é norma para cavidades a superiores a 1,5 metro de profundidade. Portanto, no acidente de ontem, as normas de segurança estariam sendo respeitadas. A autarquia ainda acrescenta que investiu R$ 220 mil na aquisição de equipamentos de proteção individual (EPIs) e que trabalha na conscientização de seus funcionários para que usem-os.
O Sinserm informa que vai acompanhar a apuração que o DAE fará das causas do acidente e cobrará mais segurança no trabalho para os servidores da autarquia.