Desde a última segunda-feira, Bauru é a sede da 5ª edição da Semana de Artes Gráficas. Ontem, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) Regional São Paulo, Fábio Arruda Mortara, participou do evento ao ministrar palestra com o tema “Desafios na indústria de comunicação impressa na nova década”, enumerando as possibilidades e necessidades do setor.
De acordo com Mortara, muitas pessoas não conhecem a abrangência das artes gráficas no dia a dia. Ele afirma que até mesmo empresários que trabalham no setor gráfico chegam a não se classificar como pertencentes à categoria.
“São poucos os que percebem a presença da indústria gráfica na embalagem da pasta de dentes, na caixa do cereal, no jornal diário, no comprovante de estacionamento, nos relógios, nas máquinas fotográficas e muitos outros produtos. Além disso, a pulverização das ações na indústria gráfica é tão grande que, às vezes, o empresário que imprime embalagens plásticas não se classifica como gráfico, mas ele é”, destaca Mortara.
Sobre os desafios da indústria para os próximos anos, o presidente da regional de São Paulo da Abigraf diz que a maior dificuldade é saber definir quais áreas se tornaram obsoletas e quais precisam se modernizar para obter maior solidez no mercado. “A análise deve buscar entender onde o mercado da indústria gráfica vai deixar de existir e onde ele pode aproveitar da modernidade para expandir”, avalia.
O principal motivo das mudanças no setor, segundo Mortara, é o avanço da Internet, que amenizou o crescimento de algumas áreas de atuação da indústria gráfica e também abriu novas possibilidades. “Eu vejo que a indústria gráfica está enfrentando um importante acontecimento, que é a Internet. Buscamos aproveitar da Internet o que ela tem de bom, na transferência de arquivos e na agilidade de comunicação. Então, buscamos entender onde a Internet vai roubar mercado e onde a indústria gráfica pode também ganhar mercado”, frisa o presidente da Abigraf de São Paulo.
Crescimento
Mortara considera que a indústria gráfica possui três áreas com possibilidades mais efetivas de expansão: impressão digital, editorial (livros e revistas) e embalagens.
Sobre a impressão digital, o presidente da Abigraf destaca que os empresários podem utilizar a tecnologia para oferecer produtos mais personalizados. “A parte de impressão digital de fotos, agendas, calendários, cadernos, entre outros produtos, ainda pode ser muito explorada. Na área digital existe um campo enorme a ser descoberto, só trabalhamos com a pontinha do iceberg até agora”, afirma.
Ele disse ainda que os brasileiros não têm o costume de ler e que este campo pode significar avanço para as indústrias. “A segunda área onde vejo uma expansão muito forte no Brasil é na editorial. O brasileiro ainda lê muito pouco, sejam livros de lazer, cultura ou educação, e existe aí um mercado formidável”, avalia Mortara.
Definindo as artes gráficas como um setor sem limitações para a expansão por se tratar de uma ferramenta que depende diretamente da criatividade de quem está envolvido no processo de produção, ele afirmou enxergar inúmeras possibilidades no setor de embalagens. “É uma área que ainda pode ser muito explorada, a exemplo da impressão digital em embalagens, que pode ser usada para personalizar produtos. Existe um mercado muito grande para pequenas tiragens”, enumera Mortara.
Além das novas alternativas que podem estimular o mercado das indústrias gráficas, o setor teve aumento de 23,8% no número de exportações no primeiro trimestre de 2010, na comparação com o mesmo período de 2009. Apesar deste avanço, a balança comercial da indústria gráfica brasileira continua com déficit, visto que as importações também subiram no primeiro trimestre de 2010 se comparado com 2009, com 18,3% de aumento.
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Bauru
Também presente na 5ª edição da Semana de Artes Gráficas, o vice-presidente da seccional bauruense da Abigraf, Luiz Edmundo Coube, afirmou que as indústrias gráficas de Bauru e região estão preparadas para os novos desafios do mercado.
“O setor gráfico é muito desenvolvido e possui diversificação muito grande em toda a região, desde a época em que se instalou a Tilibra na cidade. Foi quando nasceram várias gráficas e Bauru se tornou um pólo nacional, destacando-se em todo o cenário nacional”, destacou Coube.
“O preparo das indústrias gráficas de Bauru e região para os novos desafios está no mesmo patamar que outros pólos brasileiros. Acompanha perfeitamente o que acontece no mercado atual”, considera o vice-presidente da seccional bauruense da Abigraf.
De acordo com Coube, a região administrativa de Bauru é formada por 39 municípios, somando um total de 135 empresas que empregam mais de 3 mil profissionais gráficos. Já no Estado de São Paulo existem 6.170 gráficas que empregam cerca de 90 mil pessoas.
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Meio ambiente
Fábio Mortara destacou ainda a importância com que a conscientização ecológica é tratada pelos empresários do setor. Ele afirmou que a associação possui programa específico sobre o assunto que implementa diversas ações em proteção ao meio ambiente.
Ele citou que as árvores utilizadas pelo setor fazem parte de programas específicos das indústrias gráficas, que plantam as árvores necessárias para o processo industrial visando amenizar o impacto no meio ambiente.