Tribuna do Leitor

Da ganância e do desvirtuamento


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Sempre defendi e adotei, por norma íntima, os princípios básicos da democracia como forma de governo (os Três Poderes Independentes, de Montesquieu); o capitalismo liberal como forma e metodologia de geração de empregos e distribuição de riquezas (Adam Smith) e as regras básicas do cristianismo, alicerçadas nas premissas bíblicas do “Sermão da Montanha” e no postulado do “amar ao próximo como a si mesmo”(Jesus Cristo).

Admiro os Estados Unidos da América do Norte pelo que já fez nesse sentido na difusão dos valores que acima menciono. Ao mesmo tempo - por considerar que também é amor - respeito, procuro entender e até melhor me esclarecer sobre os valores dos que de minha norma discordam. E, assim procedendo, considero que tenho aprendido muito.

Por isso tudo, e baseado nos mesmos valores que até o pós-guerra (década de 50 do século passado) a grande nação norte-americana pregava por meio dos seus estadistas é que me decepciono profundamente pelas atitudes tomadas pelos seus últimos governos. Discordo, sim, porque tais atitudes são totalmente divergentes de tudo aquilo que lhes ensinaram aqueles que lançaram os alicerces da democracia que um dia foi exemplo para este planeta. Aqueles que os próprios norte-americanos consideravam e ainda consideram terem sido os “pais da pátria”!

Os Estados Unidos, já derrotados financeiramente pela ocorrência do desvirtuamento do puro e verdadeiro capitalismo democrático, agora sequer respeitam os seus mais comezinhos fundamentos e perdem-se, hoje em dia, na iniquidade de ameaças ao mundo todo, baseados apenas e tão somente, no seu incrível e imensurável poderio bélico. A fixação do governo Obama na imposição de mais sanções à antiga Pérsia, o Irã, é execrável. Será que já não basta Cuba? Trata-se de uma perversão herdada do desgoverno W. Bush. Da mesma forma que no Brasil, onde o povo - e não a guerrilha clandestina - pela paciência e persistência conseguiu reaver o poder dele usurpado por um golpe militar, também assim, mais cedo ou mais tarde, o governo hoje teocrático do Irã voltará às mãos do seu povo.

É quase profético, porque inevitável, o aforismo “todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Porque Obama não investe na mesma paciência e persistência que nós, brasileiros, tivemos, assim como várias nações de todo o mundo? Cite-se, aqui o exemplo da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Na Rússia, hoje, o poder Executivo é exercido por um presidente eleito pelo voto direto do povo russo. O mesmo ocorre nas demais repúblicas da antiga “Cortina de Ferro”.

Eis que temos agora, senhores, uma nova modalidade de governo: a demoniocracia! Ou seja, a “democracia do poder bélico”. Isso não pode existir e, por isso mesmo, tampouco subsistir. Senhor meu Deus, Alá, Buda, Osíris, Tupã, Oxalá, Krishna, GADU ou seja lá qual for a denominação que se dê ao Criador, tenham piedade de nós!

João Guilherme Ortolan

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