Teerã - Autoridades iranianas reafirmaram ontem o compromisso com o acordo mediado por Brasil e Turquia no último final de semana, apesar da rejeição do Ocidente, e disseram descrer da possibilidade de aprovação de sanções defendidas pelos EUA na ONU.
“O acordo para intercâmbio de urânio apoiado por Brasil e Turquia vai funcionar”, disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, no Tadjiquistão, onde participa de encontro da Organização da Conferência Islâmica. Quando do anúncio do acordo, na última segunda-feira, Teerã se comprometeu a formalizar os termos do entendimento à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU) em sete dias.
O compromisso do país é enviar os 1.200 kg de seu estoque de urânio pouco enriquecido à vizinha Turquia em até um mês depois de um eventual aval da agência à proposta, para em um ano receber de volta 120 kg do material processado a 20%. Mottaki ironizou a apresentação da resolução de novas sanções na ONU no dia seguinte ao anúncio do acordo.
“Alguns membros do Conselho de Segurança trouxeram uma nova receita da cozinha. Mas parece que esse prato que eles prepararam não está sendo dado aos convidados na hora certa, porque eles já tinham almoçado. Não levemos isso a sério”, afirmou.
Além dos membros com poder de veto - EUA, França, Reino Unido, Rússia e China -, o México anunciou apoio às medidas anteontem. São necessários nove votos e nenhum veto para que a proposta seja aprovada.
Assim como Brasil e Turquia, o Líbano, outro dos dez países não permanentes do organismo, se opõe à punição. Japão, Bósnia, Áustria, Uganda, Nigéria e Gabão completam a atual composição do conselho.
O chefe da agência de energia atômica, Ali Akbar Salehi, disse que a decisão dos EUA e de aliados de persistir na via das sanções “não faz mais do que desacreditá-los”. “Sua desculpa anterior foi de que o Irã não havia aceitado sua proposta de troca de urânio. Insistiam em afirmar que era o Irã quem evitava o acordo. Agora que aceitamos essa condição, acham outra série de razões.”
Para Salehi, “pela primeira vez os países emergentes podem defender os seus direitos sem as grandes potências, o que é duro para que elas aceitem”.
Já Mujtaba Samareh Hashemi, um dos principais assessores do presidente Mahmoud Ahmadinejad, disse que a iniciativa do Ocidente “carece de qualquer legitimidade”.
E o ministro da Energia, Majid Namjou, questionou a incidência que uma eventual aprovação da medida teria, dizendo que, “apesar das restrições impostas pelos países arrogantes, a República Islâmica alcançou significativos sucessos nas esferas políticas e econômicas”.
Também ontem, o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, confirmou que Moscou apoia a proposta de resolução em debate no conselho. Mottaki, no entanto, questionou essa disposição lembrando que Moscou ajuda Teerã na construção de uma usina nuclear na cidade iraniana de Bushehr e dizendo ter recebido garantias de que a usina começará a operar no prazo previsto.