O pré-candidato a governador do Estado de São Paulo pelo PT, senador Aloizio Mercadante, disse ontem, em visita a Bauru, que a proposta de concessão de aeroportos regionais, como o local instalado na divisa com Arealva, não resolve o problema de subutilização do sistema no Interior. Ao cumprir agenda aqui, em Jaú e Botucatu, Mercadante voltou a defender que aeroportos como o de Bauru sejam transformados em equipamentos dentro da Zona Econômica de Exportação (ZEE), mas acha que concessão não é o caminho. À noite ele participou de encontro com petistas e aliados no Espaço Bauru.
O governo do Estado, comandado pelo PSDB, aguarda posição favorável da União desde o final do ano passado para realizar a concessão do setor. A proposta de realização de concessão aguarda parecer do setor aeroviário em Brasília (DF). “Não acho que o problema dos aeroportos regionais, como o de Bauru, seja isso, de quem vai administrar. O primeiro é saber como fortalecer a economia da região, que o PSDB foi incapaz de fazer em 16 anos de governo. Comprometeram toda a estrutura ferroviária do Estado, privatizaram a Fepasa e foram incapazes de revitalizar. Trouxeram pedágio e presídio para a região, o que trouxe mais violência e está encarecendo o custo relativo, e não fomentaram a hidrovia”, dispara o senador em pontos diferentes que, desde já, a campanha petista em São Paulo deixa claro que vai continuar atacando.
Sobre a proposta de concessão dos aeroportos regionais, cuja posição como gestora do sistema a União ainda não apresentou, o pré-candidato afirma que a solução está em outra direção. “Precisamos criar um Conselho de Desenvolvimento Regional e uma sede administrativa do governo do Estado aqui, para ficar mais próxima, e atrair investimentos. Senão o aeroporto vai continuar subutilizado. O projeto de grandes impactos para o aeroporto é estimular as empresas que atuam no mercado comercial regional do setor e trazer uma Zona Econômica de Exportação (ZEE) para cá, para trazer investimentos pesados para aeroporto-indústria”, diz.
Aloizio Mercadante retoma a avaliação de que o investimento em expansão das atividades do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), ficou impraticável. “Viracopos já não comporta mais nenhuma nova linha aérea, como Congonhas e como Cumbica. Está totalmente saturado e a demanda de crescimento de passagens aéreas está em 30%. A economia vai crescer agora em 10% ao ano e para suportar este ritmo, tem de atrair o aeroporto-indústria para o Interior e o daqui já dissemos que está muito bem localizado. Se ele ficar com instalação de ponta, precisa ter atividades conexas para justificar sua razão de ser e a zona de exportação é uma ótima oportunidade para cargas, com investimentos industriais em Bauru”, defende.
Embora admita que o texto aprovado pelo Congresso para a rejeição dos candidatos envolvidos em corrupção nas eleições esbarra na Constituição, Mercadante prefere comentar que caberá aos partidos garantir a lista de escolhidos para por em prática a lei do projeto Fica Limpa.
“Como é uma lei que estabelece critérios para o processo eleitoral e os candidatos se credenciarem, acho que é uma lei que ajuda a moralizar a vida pública. Tem muita gente que deveria ter ido para casa e não foi. É um instrumento para criar barreira de acesso, que teve de prever possibilidade de defesa, mas que prevê limites para isso. Minha visão é que o Ficha Limpa não é uma lei acabada, mas que agora os partidos podem já praticar nas eleições, mesmo que a lei passe a vigir no ano seguinte. A lei é uma resposta institucional, depois tem de ser aprimorada. No PT nós adotamos o critério da lei desde já. Basta que os demais partidos façam o mesmo ”, avalia.
Definição do vice
O pré-candidato do PT na sucessão pelo comando do Palácio dos Bandeirantes posicionou que a definição do vice na chapa que ele encabeça vai sair em cerca de 10 dias e o PDT está na ponta da lista para a indicação.
“O quadro agora é diferente. Na última eleição eu sai com dois partidos e agora temos 11 partidos na aliança. Vamos de 3 minutos para quase oito minutos na TV e agora o caminho é de construir as melhores soluções com este grupo para apresentar aos paulistas. Amanhã (hoje) nós fechamos a vaga do Senado com o Netinho (PC do B). Ai temos a suplência no Senado, a Martha, o Netinho e a vice. Vamos construir isso com entendimento, com o nome que mais agregue na campanha”, disse.
Sobre quem reúne o melhor perfil e bagagem para agregar votos em sua chapa, Mercadante reforçou elogios ao colega no Senado, Eduardo Suplicy (PT). “O Suplicy é o que mais agrega, por ser liderança inquestionável no Legislativo e o PDT tem alguns nomes, além dos que você menciona (Manoel Antunes, ex-prefeito de Rio Preto, e Eunice Cabral, sindicalista). Nosso entendimento é que a vaga seria a princípio do PDT e qualquer discussão vai passar por eles. Estamos refletindo e o Suplicy também. No começo de junho definimos isso”, reforçou.
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Embate eleitoral
Mercadante continua com o discurso afiado na identificação da lista de erros da gestão tucana em São Paulo, a partir de sua visão petista, e também na tentativa de fazer o contraponto para o que acha que deveria ser feito.
Ao comentar a frase “investir em vocações regionais”, repetida como um dos motes da pré-campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) pelo Interior do Estado, o adversário devolve que “os tucanos não fizeram sua parte e à medida que a campanha começar vamos mostrar a todos os paulistas que só a mudança vai garantir novo rumo ao ?Estado”.