Foi inaugurado, ontem pela manhã, o Núcleo de Educação em Direitos Humanos (NEDH) de Bauru. A estrutura funcionará na sede do Núcleo de Aperfeiçoamento Profissional de Educação Municipal, na quadra 11 da avenida Duque de Caxias. O projeto, fruto de um convênio entre a Prefeitura de Bauru e o Observatório de Educação em Direitos Humanos (OEDH) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pretende capacitar professores da rede pública municipal para lidarem em sala de aula com questões ligadas à temática dos direitos humanos.
A solenidade inaugural contou com a presença de representantes da Unesp, da prefeitura, da Câmara Municipal e de entidades da sociedade civil. Em seu discurso, o chefe do Executivo, Rodrigo Agostinho (PMDB), reconheceu a importância da iniciativa. “Muitos poderão dizer que se trata de um projeto inovador, mas na verdade, estamos atrasados. Desde os anos 70, as convenções das Nações Unidas já colocavam em foco a questão dos direitos humanos”, admitiu.
Mais tarde, em entrevista ao Jornal da Cidade, o prefeito voltou a comentar sobre o assunto. “As pessoas ainda têm uma visão equivocada sobre direitos humanos. Acredito que isso tenha relação com a forma como nossa sociedade se desenvolveu. Há 100 anos, em Bauru, por exemplo, havia uma política oficial de extermínio de indígenas que era aceita como legítima pela maior parte da população”, destacou.
O professor Clodoaldo Meneghello Cardoso, coordenador do OEDH, também discursou durante o evento. Na visão dele, dois fatores dificultam a difusão de uma cultura de direitos humanos na sociedade brasileira.
“De um lado, temos o problema das desigualdades econômicas e de outro, a questão das mentalidades, algo difícil de se mudar de uma hora para outra. Nossa sociedade é machista, preconceituosa e autoritária. Por essa razão, iremos trabalhar com as crianças, pois elas estão na fase em que nascem os preconceitos”, afirmou.
O NEDH é resultado de um projeto denominado “Cultivando os Direitos Humanos na Educação Básica”, desenvolvido desde o ano retrasado em três unidades da rede municipal de ensino: a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Márcia de Almeida Bighetti, no Núcleo Mary Dota, Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Venâncio Ramalho Guedes de Azevedo, no Hospital Lauro de Souza Lima, e na Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef) Santa Maria, na Vila Cardia.
A proposta visa aproximar do universo dos alunos, principalmente por meio de atividades lúdicas, questões relacionadas à temática dos direitos humanos. Na fase inicial do projeto, os educadores têm procurado enfatizar a valorização das diferenças.
“Não estamos inventando nada de novo em termos pedagógicos. Estamos apenas trabalhando temáticas como diversidade e preconceitos”, afirmou Cardoso. O vereador Roque Ferreira (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, também esteve presente ao evento.
“Considero essa iniciativa muito importante. Dessa forma, temos condições de semear na crianças novas concepções sobre as relações entre as pessoas. Eles terão condições de saber que direitos humanos é ter acesso a ensino gratuito e de qualidade, ter direito a alimentação e a brincar”, disse.
O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Bauru), Gilberto Truijo, referiu-se ao NEDH como uma vitória para os grupos que militam pelos direitos humanos. “Uma estrutura como esta dá visibilidade à questão”, disse.
A representante da Secretaria Municipal de Educação no NEDH, Fernanda Bechara Fantin, lembra que a temática dos direitos humanos já vinha sendo tratada na escola. “A partir de agora, não queremos apenas falar sobre esse assunto, mas fazer com que os alunos aprendam a vivenciar esses valores na prática”, disse.
No final do ano, está previsto o lançamento de um livro sobre educação em direitos humanos, sob a coordenação de Clodoaldo Meneghello Cardoso. Na obra, serão relatadas as experiências observadas no dia a dia do NEDH de Bauru.