Com uma grave crise financeira, a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - que administra o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel - mantém uma dívida que ultrapassa os R$ 90 milhões. Tentar negociar esse montante e ainda manter o atendimento à população normalizado não é uma das tarefas mais fáceis. Tanto que no início de abril, sem dinheiro para pagar fornecedores, o Hospital de Base suspendeu cirurgias eletivas, que só foram retomadas 15 dias depois. Para evitar problemas como esse e cobrar do governo do Estado sua responsabilidade no caso, o Ministério Público (MP) estuda solicitar um repasse maior de verbas para a entidade. Caso não obtenha resposta positiva, a Promotoria pode até entrar com ação contra o Estado.
Até o final de 2009, o governo repassava, em média, R$ 800 mil mensais à AHB. Porém, neste ano o valor foi reduzido. Desde o mês passado, a Secretaria de Estado da Saúde liberou aporte de R$ 500 mil, que deverá ser o valor mensal destinado à associação. Além disso, em caráter emergencial, a pasta liberou R$ R$ 1 milhão para a AHB em abril.
O promotor das fundações, José Carlos Carneiro de Oliveira, informa que o MP vai cobrar do Estado, maior participação na resolução da crise financeira da AHB. Ele observa que aguarda posição do governo sobre os aportes financeiros que vinha concedendo à associação. “Questionamos se vai haver continuidade ou não. Porque a AHB, por si só, sem o apoio do Estado, dificilmente sairá da crise”, observa. Para Carneiro, se for preciso, irá cobrar essa posição na Justiça. “Se for necessário ajuizar uma ação contra o estado para obrigá-lo a assumir algumas responsabilidades, ajuizaremos a ação sem problema algum”, ressalta.
O promotor avalia que por hora, os problemas da AHB estão sob controle, mas que será necessário participação do governo para que a reabilitação da entidade prossiga. “A AHB vai precisar do apoio do Estado para poder agilizar seu processo de recuperação e restruturação. Inclusive para que logo que for possível, sejam convocadas eleições para recompor diretoria e conselho, que é o que nós queremos. A ideia é que no prazo mais rápido possível o interventor possa reestruturar a AHB de forma que possa ser convocado esse processo eleitoral. Mas sem apoio do Estado, isso não será possível”, defende.
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Interventor da entidade pede uma investigação da polícia contra sindicalista
O 3.º Distrito Policial (DP) de Bauru foi procurado ontem pelo advogado Tiago Nascimento Soares, procurador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Ele deu entrada a um requerimento de instauração de inquérito policial para investigar ações de calúnia e difamação contra o interventor da entidade, Fábio Tadeu Teixeira.
Uma das pessoas questionados pelo procurador é a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde (Seessb), Vera Salvadio. De acordo com Soares, o motivo foi a denúncia feita pelo sindicato à imprensa há duas semanas, que o advogado alega não ter base em documentos.
O delegado Ismael Cavalieri, do 3.º DP, explica que será instaurado um Termo Circunstanciado e as partes envolvidas serão chamadas pela unidade e ouvidas. Em seguida, o documento será enviado à Justiça. O delegado observa que além de Salvadio, Pedro Valentim também foi relacionado pelo procurador e deverá ser chamado ao distrito.