São Paulo - A Polícia Federal deflagrou ontem uma operação que prendeu 60 pessoas em cinco Estados - entre elas, a mulher, o genro e um assessor do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, um ex-secretário de Meio Ambiente do Estado e o chefe de gabinete do governador Silval Barbosa (PMDB-MT).
Segundo a PF, eles são suspeitos de participar de um esquema que fraudava licenciamentos e planos de manejo florestal para legalizar madeira extraída ilegalmente de terras públicas e indígenas, assentamentos e unidades de conservação em MT.
Ao todo, foram expedidos 91 mandados de prisão preventiva contra madeireiros, fazendeiros, engenheiros florestais e servidores públicos. As prisões foram efetuadas em MT, SP, PR, RS e ES.
De acordo com as investigações, o esquema contava com a ajuda de servidores da Sema e de outros órgãos de MT.
Servidores da secretaria faziam avaliações fraudulentas de áreas florestais em propriedades rurais e concediam créditos fictícios que permitiam “esquentar” madeira retirada de reservas, segundo a PF.
Dos 91 mandados de prisão preventiva expedidos, 80 são de Mato Grosso. A Justiça Federal em Mato Grosso também determinou a indisponibilidade dos bens de todos os suspeitos. O valor estimado dos danos ambientais causados pelos suspeitos chega a cerca de R$ 900 milhões, de acordo com a PF.
A operação - chamada Jurupari, referência a uma lenda tupi que fala de uma entidade enviada pelo Sol para reformar a Terra - é resultado de cerca de dois anos de investigações. Janete Riva, mulher do presidente da Assembleia de MT, José Geraldo Riva (PP), foi presa com seu genro, Antônio Carlos Azoia, também dono de uma fazenda investigada.
Prisão política
O deputado e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva (PP), afirma que as prisões de sua mulher, seu genro e de um de seus assessores “são políticas” e que a fazenda investigada não tem irregularidades. “Se encontrarem algo, podem ficar com ela. Não sou materialista”, diz.