A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) está contratando análise especializada particular para verificar o nível, a extensão e as implicações da contaminação por chumbo na região do aterro sanitário. A informação foi confirmada ontem pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). A medida é considerada, nos bastidores, como uma ação de segurança e prevenção por parte do atual presidente da Emdurb, Nico Mondelli Júnior.
Mas nem o chefe do Executivo nega que a análise de fora vai ser parâmetro para comparação com o que vai ser apresentado pela Companhia Estadual de Saneamento Ambiental (Cetesb). Há vários elementos nebulosos no episódio do chumbo, sem relação com o papel de análise e fiscalização da Cetesb. Mas, em razão até de desconfiança interna em setores do governo, o atual comando da Emdurb decidiu se precaver.
“Contratamos uma análise independente, uma questão de segurança. Temos uma situação que nos preocupa e que um laudo de fora pode trazer mais subsídios para avaliação. Também precisamos levantar informações para trazer outros elementos sobre a origem ou a posição da contaminação”, menciona o prefeito.
Uma das questões que serão apreciadas no laudo é a origem da contaminação e seu “caminho”. “Quando temos uma contaminação na montante (acima do aterro) é uma situação, porque a rigor o que está contaminado não tem como subir pela gravidade. Se há contaminação pela jusante (abaixo do aterro), é outra questão. O índice de contaminação precisa também ser apreciado a partir de outros parâmetros, porque se fala em 30, 40 vezes mais que o índice normal temos que ver isso em relação a uma ordem de micrograma sobre o todo”, acrescenta.
No início de março deste ano, o JC revelou que a deposição de lixo de diferentes origens no aterro sanitário de Bauru levou à contaminação do Aquífero Bauru por chumbo. A constatação já havia sido feita pela Emdurb ainda em dezembro de 2009, mas o dado foi guardado “em segredo”.
O caso assustou Nico Mondelli, que havia assumido o cargo recentemente. Ao tomar conhecimento dos focos de contaminação, no final de 2009, a empresa municipal tratou de não levar o caso para avaliação da Cetesb.
O JC apurou que a contaminação por chumbo na água analisada foi alta, pelo menos 38% acima do limite.
O prefeito suspeitou que a contaminação ocorreu devido à deficiência na impermeabilização do aterro sanitário, onde é depositado todo o lixo domiciliar recolhido em Bauru – cerca de 250 toneladas por dia. Até alguns anos, o aterro não tinha sistema seguro de impermeabilização, mas apenas um isolante superficial, segundo o Executivo. A Cetesb está prestes a apresentar o laudo das amostrar que fez em março, após o JC revelar o caso.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) também vai colher novas amostrar no local, confirmou ontem a assessoria de imprensa. O laudo vai ser elaborado internamente como outro indicador para a avaliação do caso.