Em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), no ano de 2008 foram registrados 251 nascimentos. Deste total, apenas 13,9%, ou seja 35, foram nascimentos por parto normal, índice abaixo da média do DRS-6/Bauru que é de 41,7%. Detentora de um dos menores índices de parto natural, o município tenta fazer uma parceria com a Irmandade Santa Casa para que o incentivo que é feito na rede básica seja ampliado para o hospital.
A secretária da Saúde, Rosa Sueli Sartori Minetto, diz que são vários os fatores que interferem na opção pelo parto cesária ou normal. “É cultural a perda de interesse da gestante pelo parto normal. O que a gente ouve muito é que a mãe e a avó da gestante passaram pelas dores do parto e incentivam a parturiente a seguir outro caminho na esperança que ela sofra menos.”
No sentido inverso trabalha a secretaria nas quatro unidades existentes na cidade, explica Minetto. “Em todas temos grupos de gestantes. Uma equipe multidisciplinar acompanha a gestante desde o primeiro mês. Nas reuniões o parto normal é um dos itens tratados, assim como o aleitamento materno.”
A barreira encontrada pelos profissionais no convencimento da futura mamãe é quanto a dor do parto normal. “Em muitos grupos de gestantes ouvimos elas falarem do medo da dor do parto. Isso está muito cravado. As mães querem a cesária porque ficam livre dela, não pensam que o pós-operatório é pior.”
Além das reuniões mensais nas unidades básicas, a secretária quer uma parceria com o hospital para reforçar a questão. “Sabemos que a opção não depende só de nós. Acreditamos que um reforço, pode ajudar. Discutimos a parceria na semana passada. Eles poderão abordar não só a questão do parto, mas também do aleitamento materno, um dos itens principais na diminuição da mortalidade infantil.”
Na cidade há um obstetra, que nem sempre dá conta da demanda. “Nos finais de semana, algumas vezes encaminhamos os casos para Lençóis Paulista. Algumas gestantes preferem deixar a data agendada ao invés de experimentar as dores da contrações.”
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Balbinos não tem maternidade
A cidade de Balbinos (73 quilômetros de Bauru) não tem maternidade, como vários municípios de menor porte da região. As gestantes vão de ambulância para Pirajuí ou Bauru para dar à luz. A falta do hospital pode ser um dos fatores que influencie na escolha do tipo de parto, opina o diretor de saúde do município, Waldir Bello.
No ano de 2008, quando foi feita a pesquisa, foram registrados 18 nascimentos e 27,8% das parturientes optaram pelo parto normal. O número está abaixo da média estadual. Para o diretor, o incentivo está sendo feito por palestras e orientação durante o pré-natal. “Temos um programa de pré-natal com um obstetra. Mas o nascimento é feito em outra cidade. Acredito que isso possa ser um item de desmotivação em relação ao parto normal, porque a mulher não quer viajar de uma cidade para outra com dor.”
Bello pretende investir um pouco mais no incentivo. “Estamos discutindo com a enfermeira da unidade de saúde um plano que incentive a opção pelo parto normal. Algo que evidencie os benefícios.”